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30 de outubro de 2018

Os confrontos anglo-espanhóis no mar não tinham cessado com o Tratado de Bristol assinado em 1573. Elizabeth proibira que se atacassem naus espanholas ao sul do equador durante três anos, enquanto fazia vista grossa para as lucrativas (e, para os espanhóis, as mais sensíveis) operações de piratas ao norte. John Hawkins financiou várias expedições no Caribe, enquanto Francis Drake fazia sua fortuna pessoal com o ataque a uma frota que carregava ouro em lingotes, em Nombre de Dios, durante sua terceira viagem como pirata, em 1572-73.

A propensão de Drake para bradar “Vitória à rainha da Inglaterra” durante os ataques parecia prejudicial às profissões de inocência de Elizabeth. Em 1577 ela abandonou essa pretensão e, juntamente com vários membros de seu Conselho, forneceu recursos para a tentativa de circum-navegação de Drake. O feito de Drake foi assombroso, como reconheceu Elizabeth quando deu as boas-vindas triunfalmente, a bordo do navio, e o sagrou cavaleiro. Mas a viagem também expusera a fraqueza das possessões espanholas no Pacífico, a qual Elizabeth se declarou inclinada a explorar.

Elizabeth anunciou ao enraivecido embaixador espanhol Bernardino de Mendoza que tinha o intento de ficar com seu quinhão de 140 mil libras do butim de Drake, e que Felipe não poderia culpar ninguém por isso, a não ser ele mesmo, uma vez que “os espanhóis tinham causado esse mal a si mesmos com sua conduta injusta em relação à Inglaterra, ao impedir seus negócios [com flandres], violando o direito das nações”.

Ela prosseguiu com arrogância, dizendo que estava perfeitamente capacitada para declarar seu direito de “tomar posse de colônias” em regiões nas quais Felipe ainda não tinha súditos, uma vez que “prescrições sem posse não tem validade”. Para o caso de Mendoza não compreender, ela usou as joias que Drake lhe presenteara bem debaixo do nariz do embaixador nas comemorações de ano-novo.

Elizabeth, de Lisa Hilton