#653

25 de novembro de 2018

O Rei Sol dava pessoalmente créditos a seus servos: “Uma cidade defendida por Vauban é uma cidade impenetrável; uma cidade cercada por Vauban é uma cidade tomada”. Sob a direção de Vauban, os cercos se transformaram em verdadeiros espetáculos teatrais formais, encenados e cronometrados de forma imaculada.

Uma vez que a fortaleza estivesse cercada, Vauban dava início a uma série de trincheiras que corriam em ziguezague, aproximando-se cada vez mais das muralhas. Calculando os ângulos com precisão matemática, ele criava as trincheiras de modo que os tiros de defesa lançados das muralhas mal conseguissem tocar a infantaria nas trincheiras cada vez mais próximas. Enquanto isso, a artilharia do sitiante atirava dia e noite nas muralhas, silenciando os canhões de defesa, fazendo buracos nos parapeitos.

Quando o momento da investida chegava, a infantaria agressora apressava-se para fora das trincheiras e atravessava as valas (que eles haviam preenchido com feixes de palha bem amarrados), passando pelas brechas nas muralhas agredidas. Poucos cercos, todavia, chegavam a esse clímax. De acordo com a rigorosa etiqueta que governava ambos os lados, uma vez que o defensor tinha a certeza matemática de que sua fortaleza cairia, ele estava livre para se render com honra. Nem seu governo, nem o sitiante esperava menos.

No entanto se, em uma explosão de paixão irracional, o defensor se recusasse a se render e o agressor fosse forçado a seguir com o ataque, enfrentando os custos de tempo e de vidas para tomar a cidade, então, uma vez tomada, toda ela estava entregue a violações, saques e incêndios.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie