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29 de novembro de 2018

Durante séculos, a Igreja fora a grande negociadora, a mediadora das guerras europeias. Dessa vez entretanto, além do papa não ter sido convidado para mediar o tratado, este foi assinado sob seus protestos veementes.

Os tempos estavam mudando. A importância dos estados nacionais aumentava, enquanto a importância do papado diminuía. O Tratado de Vestfália foi um divisor de águas para a Igreja, marcando o término de sua hegemonia diplomática e assinalando a ascensão dos estados modernos.

O papa Inocêncio X promulgou uma bula, datada de 20 de novembro de 1648, declarando que o Tratado de Vestfália era “nulo, vazio, inválido, iníquo, injusto, condenável, fútil, destituído de significado e validade em todas as épocas”. Foi polidamente ignorado. Os países católicos alemães, ansiosos para limpar o terreno e progredir, não desejavam que o papa impusesse obstáculos ao tratado. Então, proibiram a distribuição da bula.

Para seu enorme desapontamento, o país que realmente se beneficiou com a Guerra dos Trinta Anos foi a França, que emergiu triunfante do conflito, como a maior força militar do continente. A Suécia tornou-se a Senhora do Norte. A Holanda consolidou seu domínio sob as rotas comerciais. Os Habsburgos: Espanha e a Áustria emergiram das cinzas exauridas, embora a Espanha fosse orgulhosa demais para assinar um tratado com a França e continuasse a guerra, de certa forma, até 1659.

Tendo surrado seus antigos inimigos, a França estava com o caminho aberto para a glória, que alcançaria sob Luís XIV. Mas isso ainda estava no futuro. Quando o Tratado de Vestfália foi assinado, o esplendoroso Rei Sol ainda era uma tênue réstia de luz que brincava com soldadinhos de madeira.

Senhora do Vaticano, de Eleanor Herman