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1 de dezembro de 2018

Mesmo à mesa de negociação, não se considerou seguro sentar católicos e protestantes. Em consequência, os tratados tiveram de ser discutidos e finalmente assinados em duas cidades separadas, 50km distantes uma da outra — Münster para o imperador e seus aliados católicos, Osnabrück para as potências protestantes. Fez-se uma exceção para os representantes da França católica: evidentemente incapaz de aguentar a companhia austríaca, ou talvez a comida austríaca, eles se reuniram com os suecos e seus aliados protestantes em Osnabrück.

A Suécia emergiu como uma decidida vitoriosa, com grandes ganhos territoriais, incluindo o controle do rio Oder, rico em comércio, e de toda a Pomerânia ocidental, além de enormes pagamentos de indenização e representação permanente no Parlamento alemão. Apesar disso, muitos na Suécia se sentiram tapeados, afirmando que a guerra devia ter continuado até a causa protestante sair vitoriosa, ou pelo menos até que se pudesse exigir mais dinheiro.

Alguns dos clérigos condenaram o tratado de seus púlpitos, agitando oposição a ele até serem formalmente proibidos de fazê-lo. Ressentiam-se sobretudo dos ganhos franceses, tanto mais que haviam sido obtidos em grande parte por intervenção pessoal de Cristina de Suécia. Toda a área central do Reno e uma dúzia de cidades da Alsácia passaram para mãos francesas, fazendo uma amarga zombaria do último aviso de Gustavo Adolfo apenas dias antes de morrer, de que não se devia permitir à França adquirir controle de qualquer território alemão.

A estrela da França começara a ascender, e o longo dia brilhante da vizinha chegava ao fim. Num claro sinal do contínuo declínio do Império Habsburgo na Espanha, a Holanda finalmente conquistou sua independência. Com revoltas nas mãos no leste e no oeste, e a continuação da guerra com a França, os espanhóis dificilmente podiam permitir-se insistir em melhores termos.

A Paz de Vestfália também simbolizou o empobrecimento de Roma e o declínio de sua posição diplomática e, aos poucos, também de seu prestígio artístico. Cristina aprendera antes de chegar à Roma com seus agentes e diplomatas, com seus livros, e acima de tudo, com a sua imaginação disposta. O retrato não era inexato, mas, quando de sua chegada, já começava a declinar. Os amplos projetos de construção, de décadas de duração, haviam minado as finanças papais, e feudos armados dentro dos Estados papais haviam despojado os cofres até os ossos de madeira bruta.

Os papas haviam pagos enormes contas por um método bem conhecido de Cristina: obtendo empréstimos, e a longo prazo, contando que seus sucessores assumissem a responsabilidade pelo pagamento. Nessa época, as dívidas eram esmagadoras — a própria Cristina sentira o peso delas, como ocorrera ao ter negada qualquer ajuda “temporal” na viagem para a cidade. De agora em diante, a torrente cintilante do gênio italiano iria serpentear por um caminho mais distante, para Paris.

Cristina Alexandra, de Veronica Buckley