#719

20 de fevereiro de 2019

Carlos XII da Suécia (1682 – 1718) foi o soldado mais atrevido e agressivo de sua geração. A impressão que os inimigos e uma Europa atenta tinham de Carlos era a de que ele estava ansioso por batalhas, a qualquer momento e contra quaisquer chances. Era extremamente devoto do movimento rápido e das táticas de choque. Sua impetuosidade e ansiedade de atacar traziam traços de imprudência, até mesmo de fanatismo, e é verdade que sua tática era a mesma de George S. Patton: atacar sempre!

No entanto, não era um assalto com base na loucura; o ataque sueco se fundamentava no treinamento rígido e na disciplina de ferro, na dedicação total e na crença na vitória, e na excelência nas comunicações no campo de batalha. Informados por tambores e mensageiros, os comandantes subordinados sempre sabiam o que era esperado deles. Qualquer fraqueza em seu próprio meio era rapidamente coberta; qualquer fraqueza no exército inimigo era explorada com destreza. Carlos estava disposto a quebrar a tradição sazonal da guerra (o chão duro e congelado era mais fácil de ser percorrido por suas carroças e canhões, e talvez suas tropas fossem mais acostumadas ao tempo congelante) e pronto para lançar uma campanha durante o inverno.

Os soldados suecos eram treinados para pensar apenas em termos de ataque, independentemente das adversidades. Se um inimigo de alguma forma tomasse a iniciativa e começasse a avançar em direção às linhas suecas, estes últimos corriam a rebater de imediato o ataque com um contra-ataque. Ao contrário dos ingleses sob o comando de Marlborough, cujas táticas da infantaria tinham como base o melhor uso de seu poder de fogo devastador, o fundamento do ataque sueco permanecia nas armas brancas — o aço frio. Tanto infantaria quanto cavalaria deliberadamente sacrificavam o poder de fogo de seus mosquetes e outras armas em favor de se aproximar com espadas e baionetas.

Isso criava uma cena impressionante. De modo lento, constante e silencioso, exceto pelo bater dos tambores, a infantaria sueca avançava, sem abrir fogo até o último minuto. Já próximas, as colunas se abriam em uma longa muralha azul e amarela com quatro fileiras de profundidade, paravam, lançavam uma única saraivada e então atacavam com baionetas a linha inimiga cambaleante.

O impulso insuperável do ataque sueco vinha de duas fontes: fatalismo religioso e treino constante. Cada soldado aprendia a crença do rei de que “Deus não permitirá que ninguém morra até sua hora chegar”. Isso produzia uma coragem calma, ancorada em meses e anos de práticas de marcha, transporte, pausas e tiros, o que dava à infantaria sueca uma capacidade incomparável de manobra e de coesão.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie