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25 de fevereiro de 2019

Nomeado para enfrentar a resistência de Quinto Sertório na Espanha (80-72 a.C.), Pompeu foi apoiado por um exército que já operava lá sob o comando de um governador indicado de forma mais convencional. Seu propósito foi ajudado pela relutância dos cônsules de 77 a.C. em ir para região. Dessa vez, Pompeu foi investido do protocolar “imperium”, legitimando seu status. Um senador que o apoiava disse que ele não estava indo como procônsul, mas como “pro consulibus” — em lugar de ambos os cônsules.

Na Espanha, Sertório, um remanescente do partido de Mário, demonstrou ser um oponente muito mais duro que os militares incompetentes que Pompeu enfrentara no passado, e pela primeira vez, este sofreu algumas derrotas. A experiência foi humilhante para alguém tão acostumado ao sucesso, mas o jovem general tinha capacidade de aprender com seus erros, criando respeito pelo oponente sem nunca se sentir atemorizado por ele. A guerra na Espanha foi dura e prolongada, mas, à medida que os anos passavam, Pompeu e outros exércitos senatoriais gradativamente fizeram avanços contra as forças sertorianas. Mesmo assim, se Sertório não fosse assassinado por um de seus subordinados, em 72 a.C., a guerra teria facilmente se arrastado por vários anos mais. Em vez disso, tudo se encerrou subitamente para um homem cuja ambição e orgulho ultrapassavam em muito o talento.

Em 71 a.C., Pompeu tinha 35 anos, nunca ocupara nenhum cargo eletivo e ainda figurava na ordem equestre, por que nunca se alistara no Senado. Agora ele anunciava que concorreria nas eleições para cônsul do ano seguinte. Isso estava em oposição direta com a regulamentação de Sula sobre a carreira pública, que confirmara legislação anterior. De acordo com a lei, um homem não podia se candidatar a cônsul até completar 42 anos e ter ocupado, antes, os postos de questor e pretor. Crasso, que também anunciara sua candidatura mais ou menos na mesma época, estava qualificado em relação a idade, mas toda a carreira de Pompeu até aquela data violava tanto o texto quanto o espírito das leis de Sula.

Ambos estavam acampados com seus exércitos do lado de fora de Roma, com toda a legitimidade, pois ambos esperavam celebrar sua ovação e seu triunfo respectivamente. Ninguém fez ameaça alguma, mas, desde que Sula voltara suas legiões contra Roma para enfrentar inimigos políticos, havia um medo muito real de outros fazerem o mesmo. Quando Pompeu e Crasso puseram de lado as discordâncias pessoais para lançar uma campanha conjunta para o consulado, houve pouco desejo de se opor a eles.

Crasso conquistara o posto graças à sua vitória contra os escravos liderados por Espártaco (73-71 a.C.), enquanto Pompeu era visto como herói por grande parte da população. Era irregular para alguém que não pertencesse ao Senado tentar se alistar nele e, simultaneamente, tornar-se cônsul, mas pareceria ridículo obrigar quem já passara por toda a cadeia de altos-comandos a percorrer os postos iniciais da magistratura.

Isentados pelo Senado em relação à idade e outras qualificações — uma vez que ambos necessitam de permissão para concorrer às eleições sem entrar na cidade, pois não poderiam fazer isso sem antes desistir do “imperium”, o que teria significado a desmobilização das legiões antes da procissão triunfal —, Pompeu e Crasso foram eleitos por grande maioria.

César, de Adrian Goldsworthy