#728

3 de março de 2019

Em 30 de novembro de 1700, com os russos em uma forte posição defensiva em Narva, a infantaria sueca, concentrada em peso, deveria realizar o golpe principal. Distribuída em duas divisões, ela atacaria os fossos em um ponto próximo ao centro da linha. Uma vez ultrapassada a muralha, as duas divisões deveriam se separar, uma seguindo para o norte, a outra para o sul, atacando a linha russa por dentro e levando os soldados inimigos na direção do rio.

A cavalaria sueca continuaria do lado de fora dos fossos, controlando por ali, cobrindo os flancos da infantaria conforme ela avançasse e capturando qualquer russo que tentasse escapar ou atacá-los naquele lugar. Rehnskjold comandaria a ala setentrional (esquerda) do ataque de infantaria sueco; o conde Otto Vellinck comandaria a ala direita. Carlos XII deveria controlar uma pequena força separada na extrema esquerda, na companhia do coronel Magnus Stenbock e de Arvid Horn. Assim que as armas estavam prontas, a artilharia sueca deu início a um bombardeio pelo meio da linha russa, enquanto a infantaria se reunia no centro e os esquadrões da cavalaria trotavam em direção às alas. Assim, de forma calma e ordenada, dez mil suecos prepararam-se para avançar sobre quarenta mil russos entrincheirados.

De sua posição na muralha russa, Du Croy observou essa atividade com crescente alarme. Esperava que, de acordo com as regras da guerra, os suecos começassem a criar trincheiras e preparar seus próprios acampamentos fortificados. Sua confusão cresceu quando ele se deu conta de que alguns dos soldados suecos estavam carregando feixes que seriam usados para atravessar a vala cavada diante da muralha de barro. Então o comandante russo começou a perceber que, por mais incrível que parecesse, o exército sueco estava prestes a atacar sua posição.

Durante a manhã e o início da tarde, os suecos calmamente continuaram seus preparativos. Às duas da tarde, quando estavam prontos, a chuva havia cessado, fazia mais frio e um novo temporal se formava no céu escurecido. Então, enquanto foguetes de sinalização eram lançados, colocando o exército em movimento, a tempestade estourou logo atrás, lançando rajadas de neve na direção das fileiras russas. Alguns dos oficiais suecos hesitaram, pensando que seria melhor adiar o ataque para quando o temporal chegasse ao afim.

“Não!”, gritou Carlos XII. “A neve está batendo em nossas costas, mas está caindo em cheio no rosto do inimigo”. O rei estava certo. Os russos com os flocos de neve ferindo seus olhos, atiravam com mosquetes e canhões, no entanto a maioria de seus tiros, mirados para um vazio tomado pelo branco, seguiam para o alto e não causavam qualquer dano ao adversário. Silenciosa e rapidamente os suecos avançaram, surgindo de repente diante do inimigo e de costas para a neve. Trinta passos à frente das valas, a fileira sueca parou de súbito, mosquetes apoiados nos braços. Uma única saraivada soou e, no baluarte, os russos “caíram como árvores”.

Lançado seus feixes na vala, os suecos se lançaram por cima delas. Sacudindo espadas e baionetas, atravessaram o fosso e avançaram contra o inimigo. Dentro de 15 minutos, uma ferrenha luta corpo a corpo estava acontecendo. “Avançamos diretamente, com a espada na mão, e assim entramos. Assassinamos todos aqueles que se aproximavam. Foi um massacre terrível”, escreveu posteriormente um oficial sueco.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie