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2 de abril de 2019

Na Europa Ocidental, a maior parte das campanhas militares acontecia de forma calma. Os cercos eram populares e muito preferidos em comparação aos riscos maiores e surpresas desagradáveis da batalha em campo aberto. A guerra de cerco era conduzida com precisão impressionante, quase matemática; de cada lado, a qualquer momento, o comandante sabia com exatidão onde estavam os problemas e o que aconteceria a seguir. Luís XIV era um devoto da guerra de cerco; ela não lhe trazia o risco de perder o grande exército que ele havia construído com tanto cuidado e dinheiro. Ademais, ela lhe permitia participar com segurança do Jogo de Marte.

Em Sébastien Vauban, a França tinha o maior mestre de operações de fortificação de cerco da história. Em nome de seu soberano, Vauban pessoalmente preparou cercos impecáveis a 50 cidades, e suas fortalezas funcionavam como modelo para a época. Às vezes bastiões puramente militares, outras vezes cidades fortificadas, essas fortalezas protegiam as fronteiras da França como uma rede de bloqueio. Cuidadosamente adaptada às particularidades de cada terreno, cada construção era um trabalho não apenas de extrema utilidade, mas também de arte.

Tendiam a ter a forma de estrela gigante: cada muralha era construída de modo a abrigar canhões enfileirados ou pelo menos mosquetes instalados em ângulos de noventa graus para sua proteção. Cada parte da construção era um forte autônomo, com artilharia e tropas próprias, além de saídas de emergência para os guardas. Em volta dessas gigantes muralhas corria uma rede de fossos de seis metros de profundidade e doze metros de largura, também revestidos de pedra — locais frios e desolados para a infantaria atacante se encontrar.

Quando essas fortificações foram construídas, os exércitos franceses estavam na ofensiva, e essas fortalezas, com suas enormes portas decoradas com a flor-de-lis dourada e se abrindo para construções de severo esplendor, deviam funcionar não como pontos de defesa estáticos, mas como eixos nos quais os exércitos franceses seriam capazes de realizar manobras. Mais tarde, quando o exército de Marlborough venceu implacavelmente as batalhas a caminho de Paris e Versalhes, as fortalezas de Vauban foi um dos grandes fatores salvaram o trono do Rei Sol.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie