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7 de abril de 2019

O campo de batalha era um local de carnificina. O exército de Carlos XII da Suécia, que havia começado a batalha com 19 mil homens, deixou 10 mil deles no campo, incluindo 6,9 mil mortos e feridos e 2,7 mil prisioneiros. Em meio às perdas estavam 560 oficiais — trezentos mortos e 260 capturados, entre os últimos o marechal de campo Rehnskjold (seu melhor oficial sênior), o príncipe Max de Wurttemberg, quatro majores generais e cinco coronéis. O conde Piper (seu principal ministro) que passara o dia todo com o rei, separou-se dele no último confronto e vagou pelo campo de batalha com dois secretários até finalmente chegar aos portões de Poltava e se render.

As perdas russas foram relativamente menores — o que não era surpresa, pois haviam lutado a maior parte da batalha de posições defensivas dentro dos redutos e das trincheiras de seu campo enquanto os canhões causavam o caos entre os suecos que avançavam. Dos 42 mil envolvidos, Pedro da Rússia terminou com 1,3 mil mortos e 3,2 mil feridos. Tanto no número de baixas quanto no resultado, dessa vez o total demonstrava uma inversão do ocorrido em todas as batalhas anteriores entre Pedro e Carlos na Grande Guerra do Norte.

Em uma única manhã de 8 de julho de 1709, a batalha de Poltava colocou um ponto final na invasão sueca à Rússia e transformou de forma permanente o eixo político da Europa. Até aquele dia, os estadistas de todos os países esperavam ansiosamente a notícia de que Carlos XII havia triunfado uma vez mais, seu famoso exército invadira Moscou, o czar tinha sido destronado e talvez morto no caos e insurreições gerais se ergueriam em meio à massa russa sem um líder. Um novo czar seria apontado, uma marionete, como Estanislau na Polônia.

A Suécia, que já era a Senhora do Norte, tornar-se-ia a Imperatriz do Ocidente, o árbitro de tudo que acontecesse entre o rio Elba e o Amur. A Rússia servil encolheria conforme suecos, poloneses, cossacos e talvez turcos, tártaros e chineses tomassem porções generosas de seu território. A recém fundada São Petersburgo desapareceria da paisagem russa, a costa do Báltico seria fechada, e o povo de Pedro, ao acordar, seria parado em seu caminho, forçado a dar meia-volta e marchar como prisioneiros de volta ao mundo escuro da antiga Moscóvia. Esse castelo de sonhos caiu ruidosamente por terra. Entre o amanhecer e o jantar, o conquistador havia se tornado um fugitivo.

Poltava foi o primeiro anúncio ressonante ao mundo de que uma nova Rússia estava nascendo. Nos anos que se seguiram, estadistas europeus que até então haviam prestado tão pouca atenção às questões do czar quanto prestavam ao xá da Pérsia ou ao mogul da Índia aprenderam a reconhecer cuidadosamente o peso da direção dos interesses da Rússia. O novo equilíbrio de poder criado naquela manhã pela infantaria de Sheremetv, cavalaria de Menchikov e artilharia de Bruce, sob os olhos de seu soberano de mais de dois metros de altura, continuou se desenvolvendo durante os séculos XVIII, XIX e XX.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie