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12 de abril de 2019

Em Brundísio, César não podia continuar sua perseguição por mar. Os pompeianos haviam se reunido e se apossado da maioria dos navios mercantes da região e tomaria muito tempo recolher e trazer barcos de outro lugar. Mas César não estava inclinado a esperar, sentar-se na defensiva e entregar a iniciativa de volta a seus oponentes — e deixar Pompeu escolher o melhor momento para invadir a Itália. Agora era primavera, a abertura da estação apropriada para campanhas, mais fácil para os exércitos operarem. A maior parte de seu exército — aproximadamente, sete legiões, além de numeroso aliados e auxiliares — ainda estava ao norte dos Alpes.

As melhores legiões de Pompeu não o seguiram para a Grécia, elas estavam na península espanhola, isoladas de seu comandante e lideradas por representantes. No momento, ainda estavam passivas, mas era improvável que aquilo durasse para sempre, especialmente, se César concentrasse todas as suas forças e se preparasse para invadir a Grécia por mar. Ele não precisava de uma esquadra de navios para chegar a Espanha, nem as forças inimigas lá estacionadas teriam muita dificuldade em marchar sobre a Gália ou sobre a Itália para ajudar Pompeu, caso necessário.

Ainda levaria muitos meses para que Pompeu formasse e treinasse um exército, portanto, não existia uma perspectiva real de ele tentar invadir a Itália, vindo da Grécia, durante o ano de 49 a.C. Mas Pompeu e seus aliados não estavam inativos e planejavam cortar os suprimentos de víveres que chegavam à Itália das províncias.

Derrotar os exércitos na Espanha privaria Pompeu de suas melhores tropas e enfraquecê-lo-ia, mesmo que não fosse o encontro decisivo da guerra. Era vantajoso, e mais importante ainda, era possível. Sem hesitação, César decidiu atacar os pompeianos na Espanha. Ele brincava dizendo que ia lutar contra “um exército sem general” e depois lidaria com “um general sem exército” quando fosse enfrentar Pompeu na Grécia.

César, de Adrian Goldsworthy