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13 de abril de 2019

César afirma que 15 mil inimigos foram mortos e 24 mil capturados, junto com as águias de nove legiões e outros 180 estandartes. Asínio Pólio dá uma cifra menor para os mortos pompeianos, seis mil, que pode ser mais precisa. Domício Aenobardo foi morto na luta, mas a maioria dos outros pompeianos eminentes escapou. Brutus, o filho de Servília, logo foi incluído entre os prisioneiros e diz-se que César mandou homens à sua procura e ficou feliz ao saber que o encontraram com vida. As baixas de César foram comparativamente menores, considerando a escala de sua vitória, chegando a 200 homens e 30 centuriões segundo ele mesmo ou 1,2 mil nas palavras de Asínio Pólio.

Crastino estava entre os mortos, vitimado por um sabre que lhe entrara pela boca e saíra do lado de trás pescoço. Isso só aconteceu depois que ele realizara grandes atos de heroísmo. Apiano relata que César lhe deu um enterro de honra e até o condecorou, o que era incomum, pois os romanos, normalmente, não davam condecorações póstumas. O próprio César diz que ele e seus homens ficaram nauseados com a extravagância do acampamento inimigo e a arrogância exibida nas tendas e abrigos já decorados com símbolos da vitória. Asínio Pólio registrou o comentário mais revelador de César, quando este olhou para o acampamento coalhado de inimigos mortos: “Eles quiseram assim; até mesmo depois de todos os meus grandes feitos, eu, Caio César, teria sido condenado, não tivesse buscado apoio no meu exército.”

Até mesmo para fontes hostis a César, Pompeu não esteve bem em Farsalo, e o impacto de seu comando foi pequeno no curso da batalha, depois que esta começou. Assim que o ataque da cavalaria fracassou, ele voltou para o acampamento. Pouco mais tarde, quando viu os sinais de colapso, arrancou as insígnias de general e fugiu.

Se tivesse ficado com o exército, isso poderia não ter feito diferença alguma, mas seu comportamento foi bastante lastimável para um comandante romano, de quem se esperava que nunca admitisse a derrota e, mesmo que as coisas corressem mal, devia tentar sair com o maior número possível de soldados em boa ordem. Uma batalha podia ser perdida, mas a tarefa do general era certificar-se de que a guerra fosse ganha.

Em Farsalo, Pompeu desesperou-se, talvez porque, durante a maior parte da campanha, quisera evitar, a todo custo, uma batalha naqueles termos. Ele não fez nenhum esforço real para formar outro exército na Grécia e sim, junto com seus conselheiros, logo, pensou em fugir por mar. Houve boatos de que considerou até buscar refúgio entre os párticos, mas, no final, escolheu ir para o Egito, onde o trono estava sendo disputado pelos filhos do rei Ptolomeu. O Egito dera-lhe ajuda militar na campanha contra César e era um país rico, então, pode ter-lhe parecido uma base provável para reconstruir sua fortuna.

Publicamente, o jovem rei egípcio — ou, antes, seus conselheiros, porque o garoto estava no início da adolescência — mandou mensagens de boas-vindas. Pompeu entrou em um barco enviado da margem para buscá-los. Enquanto a mulher e os amigos observavam do convés do navio, os oficiais egípcios subitamente apunhalaram Pompeu até a morte. Assim terminou Pompeu, o homem que havia sido comparado tantas vezes com Alexandre o Grande. O herói que havia celebrado triunfos sobre a África, a Europa e a Ásia, estendendo “as fronteiras de Roma aos limites da Terra”. No dia seguinte, completaria 59 anos. Sua cabeça foi cortada e guardada para ser apresentada a César, na expectativa de ganhar as boas graças do vitorioso.

César, de Adrian Goldsworthy