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21 de junho de 2019

Do ponto de vista da maioria dos presentes, Stalin foi, de longe, o melhor negociador dos três líderes em Teerã; lá, e mais tarde em Yalta, os diplomatas e as autoridades militares americanas e inglesas partilharam a inquietante sensação, como observou um funcionário britânico, de que “os ganhos foram sempre para a Rússia, e as vagas promessas sobre o futuro para os Estados Unidos e a Inglaterra.”

Stalin recebeu, finalmente, um compromisso firme com a Operação Overlord, a longamente esperada invasão do território continental europeu. Com a ajuda de Roosevelt, o líder soviético frustrou a proposta de Churchill de uma expansão das operações aliadas no Mediterrâneo e nos Bálcãs. Stalin, por sua vez, prometeu entrar em guerra contra o Japão depois da derrota da Alemanha.

Além disso, Churchill e Roosevelt concordaram secretamente com uma das principais exigências de Stalin: controle soviético pós-guerra do leste da Polônia. Embora Churchill tivesse repetidamente prometido ao governo no exílio polonês e às suas forças armadas que eles teriam de volta sua pátria depois da guerra, ele abandonou esse compromisso depois que Stalin, com o apoio de Roosevelt, reivindicou que fosse permitido à Rússia ficar com a vasta extensão de território da Polônia que havia abocanhado em 1939. Mais tarde, o presidente diria a Harriman que “não se preocupava se os países fronteiriços da Rússia virassem comunistas ou não.”

As autoridades inglesas ficaram pasmas com o fato de Roosevelt, que se opunha tão firmemente ao imperialismo inglês, recusasse ver sob o mesmo prisma a óbvia determinação de Stalin de controlar os estados vizinhos de seu país. Em Teerã, FDR disse a Stalin: “Os Estados Unidos e a União Soviética não são potências colonialistas, portanto é fácil para nós debater” o problema criado pelos impérios coloniais como a Inglaterra e a França. O presidente, registrou Lord Moran em seu diário, “não consegue deixar de fustigar o Império [Britânico]. Parece que isso o incomoda, embora não mova uma palha quando uma gigantesca extensão da Europa cai nas garras da União Soviética.”

Churchill e três americanos em Londres, de Lynne Olson