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22 de junho de 2019

Erguendo-se em uma colina cerca de 40 metros acima do rio Moscou, as torres, cúpulas e muralhas do Kremlin dominavam a cidade. Em russo, a palavra “kreml” significa “fortaleza”, e o Kremlin de Moscou era uma imponente cidadela. Dois rios e um fosso profundo se espalhavam sob suas enormes muralhas. Esses paredões, cuja espessura variava de 3,5 a quase 5 metros e a altura atingia 18 metros, formavam um triângulo em volta do topo da colina, com um perímetro de 2,5 km e uma área protegida de 280 km quadrados. Vinte enormes torres pontuavam as muralhas em intervalos, cada uma delas uma fortaleza isoladamente, criada para ser impenetrável.

O Kremlin, todavia, não era impenetrável. Arqueiros e lanceiros — e posteriormente mosqueteiros e artilheiros — poderiam se ver forçados a se renderem à fome, quando não a ataques, mas o mais recente cerco, ocorrido no início do século XVII, havia perdurado por dois anos. Ironicamente, os rebeldes eram russos e os defensores, poloneses partidários do Falso Demétrio, um polaco que ocupou temporariamente o trono. Quando o Kremlin finalmente caiu, os russos executaram Demétrio, queimaram seu corpo, prepararam um canhão na fortaleza e atiraram as cinzas de volta na direção da Polônia.

Em tempos normais, o Kremlin tinha dois mestres — um temporal, o outro espiritual: o czar e o patriarca. Ambos viviam dentro da fortaleza e de lá governavam suas respectivas esferas. Amontoados em volta das praças do Kremlin existiam escritórios do governo, tribunais, quartéis, padarias, lavanderias e estábulos; ali por perto havia outros palácios e escritórios, além de mais de quarenta igrejas e capelas do patriarcado da Igreja Ortodoxa Russa. No centro do Kremlin, no topo da colina envolvendo os limites de uma ampla praça, havia quatro edifícios magníficos; três catedrais importantes e um campanário alto e majestoso que, naquela época (e ainda hoje), podiam ser considerados o coração físico da Rússia.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie