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22 de julho de 2019

O meio-irmão do príncipe Gong, o imperador Xianfeng, determinou que, como grão-príncipe, ele não deveria se rebaixar e receber os europeus pessoalmente, embora fossem eles os vencedores. No entanto, o príncipe era uma pessoa prática e sabia que a ordem do irmão era irrealista. Assinou os tratados em pessoa com os britânicos e franceses, tendo até chegado mais cedo para esperar Lord Elgin. Quando o inglês chegou, com uma escolta de cem soldados de infantaria, cem cavaleiros e duas bandas tocando na frente do desfile, o príncipe Gong se adiantou para saudá-lo com as mãos postas diante do peito, gesto que deveria usar para receber uma pessoa da mesma posição.

Segundo o general Grant, Lord Elgin “lhe dirigiu um olhar arrogante e desdenhoso, e fez apenas um leve aceno de cabeça, o que deve ter feito o sangue do pobre Gong gelar em suas veias. Ele era um homem cortês e agira como um cavalheiro”. Elgin logo abrandou sua demonstração de superioridade. “Os dois representantes nacionais […] pareciam dispostos a tratar um ao outro como iguais, mas não como superiores.” A atitude conciliadora do príncipe Gong lhe valeu a simpatia dos europeus. Depois de partir, Lord Elgin escreveu uma carta de despedida amistosa, na qual manifestava o desejo de que as futuras relações exteriores na China ficassem nas mãos do príncipe Gong.

O imperador legitimou os tratados, dizendo ao príncipe Gong que ele agira bem. A seguir, o imperador fez com que os tratados fossem divulgados em todos o império, enviando-os a todas as províncias e afixando cartazes em Pequim. “Quem estiver pensando em tirar proveito da guerra para dar início a uma revolta pensará agora duas vezes ao saber que a paz foi restaurada”, disse ele. Um periodista viu os aviso e chorou: o imperador da China era citado em pé de igualdade com os monarcas britânico e francês, o que ele via como “um fato nunca antes imaginado, jamais, uma redução inacreditável em nossa posição”.

A Imperatriz de Ferro, de Jung Chang