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12 de janeiro de 2020

Os três anos posteriores à guerra contra o Japão foram difíceis para o regime de Chiang Kai-shek e seus aliados americanos. Quando os japoneses se renderam, as forças nacionalistas tinham o dobro do tamanho das de seus rivais comunistas. Os nacionalistas (KMT) tinham um grande apoio dos Estados Unidos com relação a equipamentos, suprimentos e transportes, e controlavam a maior parte da China mesmo depois de os japoneses partirem da maioria das grandes cidades.

No entanto, nem mesmo com essas vantagens, elas perderam a inevitável guerra. Suas iniciativas foram mal orientadas, tanto na administração quanto na guerra. A economia, a moeda e a inflação foram mal direcionadas, com frequência grosseiramente, enquanto os impostos e outras demandas do governo, assim com a corrupção, aumentaram. O governo alienou grande parte das propriedades da população, inclusive grande parte dos camponeses. Os líderes militares e civis quase sempre exibiam uma combinação de arrogância e incompetência.

Os comandantes nacionalistas não fizeram nenhuma tentativa de confraternizar com as pessoas locais em suas áreas de operações e praticamente não ouviam os líderes locais. A enorme incompetência na administração da reforma monetária de 1948 foi ainda mais grave. A reforma causou não só apropriação indébita como inflação, a ponto de o valor da moeda se reduzir à metade em um só dia. Nada poderia causar mais sofrimento e ressentimento popular. Enquanto isso, os comunistas (PCC) conseguiram grandes contingentes de aliados para seu programa de reforma agrária.

No campo, os nacionalistas se espalharam demais, tornando-se vulneráveis às táticas comunistas. Na verdade, a “Guerra Popular” maoísta só funcionou no norte da China até 1944. Os líderes militares, como Lin Biao e comissários políticos experientes como Deng Xiaoping, preferiam tropas e armamentos móveis regulares. Os generais de Chiang ainda insistiam em controlar as cidades e negligenciavam as áreas ao redor, permitindo que os comunistas mobilizassem e organizasse a região rural, sobretudo no norte e no nordeste.

Quando o moral nacionalista começou a desmoronar, as deserções se multiplicaram, armas e equipamentos foram abandonados e as privações causaram uma exaustão posterior. Os comunistas também obtiveram informações confidencias importantes, desmoralizaram seus adversários e cada vez mais conseguiram armas e equipamentos americanos capturados dos nacionalistas. O ano de 1948 foi de desastres contínuos para o governo, com milhares de tropas nacionalistas desertando e outras unidades endo destruídas, em particular na Manchúria. As forças comunistas se deslocaram de suas bases no norte em direção ao centro da China. O moral nacionalista e a coesão se diluíram quando ficou evidente que a força comunista era maior do que os nacionalistas que os americanos tinham previsto.

No início de 1949, os nacionalistas estavam à beira do colapso e divisões inteiras, até mesmo exércitos, começaram a desertar ou mudar de lado. Quando os comunistas cercaram Pequim no começo de 1949, o comandante nacionalista se rendeu com todas as suas tropas, tal como alguns generais da dinastia Ming haviam se rendido aos Manchus em 1643/44. E assim como seus predecessores, ele e outras pessoas receberam posições de honra no novo regime.

Os maoístas entraram na cidade com seus caminhões de suprimentos capturados dos americanos, seguidos por tanques também americanos; enquanto isso, Chiang e os remanescentes de suas tropas se retiraram para o antigo baluarte pirata de Taiwan, carregando tesouros de museus nacionais mas ainda alegando ser o verdadeiro governo da China e prometendo retornar e reivindicar seu país. Contudo, foi Mao que hasteou a nova bandeira da República Popular da China na Praça da Paz Celestial em primeiro de outubro.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber