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30 de janeiro de 2020

Assim como as tropas norte-americanas da ONU, três meses atrás, os Voluntários do Povo haviam conquistado seu objetivo oficial. A ameaçadora campanha de MacArthur em direção ao Yalu fora detida e gloriosamente mandada de volta ao seu ponto de partida. Em toda a sua história, os norte-americanos nunca tinham sofrido tamanha humilhação. Em termos comparativos, Peral Harbor fora um arranhão. O Japão dera um salto inesperado em direção à paz; enquanto a China vencera uma duelo de forças, liquidando a campanha em 14 dias, com a desesperada fuga do adversário.

O clima era de descontração. Com a proclamação da vitória, Mao, ou Stalin, enrolaria sua bandeira no paralelo 38. Não havia motivo para retaliação; o adversário fora nocauteado no segundo round, e quando recobrasse os sentidos a guerra já teria acabado. A arrasadora impressão deixada pela nova China, o sucesso dos MiG-15, os estratagemas de Peng e a travessia do Yalu contavam a saga de invencibilidade da revolução dos operários e camponeses, encantando o mundo tanto quanto Napoleão. As sombrias máquinas norte-americanas de destruição em massa, comprovadamente inúteis, tinham perdido o seu encanto. A coragem e a vivacidade humanas haviam escapado do punho bufão. O destino da “democracia” em toda a Ásia tinha o cheio da podridão do regime de Rhee.

Até mesmo um jogador que despreza o ganho enganoso logo em seguida quebrar a banca podia ver que estava na hora de recolher suas fichas. Peng Dehuai percebera a situação que seus comandantes operacionais já conheciam: a compensação das perdas exigiria um recompletamento de 150 homens. Repouso, reorganização e ressurgimento lhe custariam três meses.

Após ter sido igualmente visitado pelo irrequieto Kim, Peng telegrafou a Mao: eventualmente, se poderia avançar até Seul, mas se isso fosse impositivo, o deslocamento não deveria “ir além de 10 km ao norte do paralelo 38, cedendo esta linha ao inimigo, a fim de atacar o grosso de suas forças no ano seguinte”.

Ao contrário dos agitados planejadores de Washington e Tóquio, Mao passou quatro dias pensando no que o comandante supremo e seus subordinados lhe haviam sugerido. No dia 11, respondeu a Peng, mostrando-se reticente quanto a uma ofensiva final até Kaesong ou, no máximo, Seul. Na mesma ocasião, transmitiu-lhe também uma importante notícia: “Uma fonte sigilosa relatou que o chefe do Estado-maior do Exército dos EUA, Collins, enviado por Washington para inspecionar o front coreano, considerou, após um encontro com MacArthur e Walker, desesperadora a situação das forças norte-americanas da ONU.” Collins teria reconhecido que as tropas não se prestavam a uma defesa prolongada, e era provável que tivesse instruído MacArthur no sentido de preparar os navios necessários para à evacuação.

Yalu, de Jörg Friedrich