#906

11 de fevereiro de 2020

Em geral, uma guerrilha vence se evita perder; um exército convencional perde se não tiver uma vitória decisiva. No entanto, não existe um fundamento segundo o qual o exército de guerrilha possa ser mobilizado ou exaurido. Os franceses não só tiveram dificuldades em razão desse obstáculo básico como também cometeram erros estratégicos fundamentais. Eles não tinham homens suficientes para defender o país dos ataques supresa. Se concentram forças nos centros populacionais, o Vietminh conquistaria o interior. Se tentassem proteger as aldeias, o Vietminh atacaria cidades selecionadas.

Os franceses sabiam que não conseguiriam ganhar uma guerra de guerrilha, mas acreditavam que seria possível vencer uma batalha com um planejamento logístico sério. Então, tentaram organizar uma liderança e, no final de 1953, enviaram uma força de elite formada por 12 batalhões para um local, insignificante do ponto de vista estratégico, no noroeste do país chamado Dien Bien Phu. O objetivo era atrair o Vietminh para um combate comum e derrotá-lo a tempo de influenciar a próxima conferência das grandes potências em Genebra. Nesse confronto, o Vietmihn recrutou 60 mil homens, muitos deles com uma coragem suicida. Eles contaram com o apoio decisivo da artilharia chinesa. Isso incluía armas de 105 milímetros, com um alcance muito maior do que os franceses esperavam e capazes de cobrir a pista de aviões francesa, além de artilharia antiaérea e atiradores.

A defesa era impossível. Depois de uma resistência heróica, 15 mil soldados franceses renderam-se. Quando o último comandante no Vietnã, general Navarre, foi designado, o primeiro-ministro disse-lhe que sua missão não era “destruir o Vietminh ou vencer a guerra, mas criar as condições para uma saída honrosa”. Por isso, não surpreende que os oficiais franceses tenham se sentido traídos e ninguém conseguiu explicar por que os soldados franceses tiveram que morrer para a França se retirar da Indochina. O apoio público na França desmoronou. O general de Gaulle descreveu os franceses como “as pessoas mais volúveis e ingovernáveis no mundo”.

Os franceses aceitaram a proposta soviética de uma nova conferência sobre a Indochina em Genebra, e o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Anthony Eden, num gesto hábil, convidou a China para participar. O resultado foi que a França se retirou por completo da região. Ho Chi Minh não obteve plena independência nacional que desejava. Em vez disso, o Vietnã foi dividido na altura do paralelo 17, supostamente aguardando eleições sob supervisão internacional. Isso criou um impasse, pois o Vietminh não tinha força suficiente para prosseguir com a guerra sem apoio.

Os americanos continuaram pensando que a Indochina era uma questão crucial para o equilíbrio do poder mundial. A China queria apoiar o comunismo, mas tinha dúvidas a respeito do poder de uma Indochina unificada em sua fronteira sul. Ho e seus defensores passaram os anos seguintes reunindo forças para uma tentativa de unificar o Vietnã.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber