#909

16 de fevereiro de 2020

A Guerra da Coreia aumentou as tensões internacionais e impulsionou a corrida armamentista. Embora o desenvolvimento das indústria militares sempre tenha sido uma prioridade inquestionável para a liderança soviética, durante os últimos anos da vida de Stálin o acúmulo atingiu novos níveis. Em janeiro de 1951, ocorreu uma reunião entre a liderança soviética e altos funcionários do Bloco Oriental. Documentos de arquivo relacionados a essa reunião continuam confidenciais. A única razão pela qual os historiadores sabem que ela chegou a acontecer é que ela é mencionada em vários livros de memórias.

A descrição mais detalhada do que se desenrolou na reunião é dada nas memórias do líder do Partido Comunista Húngaro, Mátyás Rákosi. Segundo seu relato, o lado soviético foi representado por Stálin e vários membros do Politburo e militares. Os países do Leste Europeu enviaram seus primeiros secretários do partido e seus ministros da defesa (apenas o secretário do partido polonês estava ausente). Sergei Chtemenko, chefe do Estafe Geral das forças armas da URSS, fez um discurso sobre um acúmulo militar nos países socialistas. A liderança soviética designou aos países satélites a tarefa de aumentar imensamente o tamanho de seus exércitos dentro de três anos, e de criar uma fundação militar-industrial para apoiar esse poderio militar aperfeiçoado. Chtemenko forneceu metas numéricas específicas.

Rákosi declara que os números de Chtemenko provocaram debate. Ele cida o ministro de defesa polonês, Konstantin Rokossovsky, como tendo dito que estavam pedindo aos poloneses que reunissem até 1953 o que já estava sendo planejado, mas não podia ser obtido até 1956. Outros representantes também questionaram as habilidades de seus países para alcançar um acúmulo tão rápido. Os soviéticos, contudo, estavam inflexíveis. Stálin respondeu a Rokossovsky que o cronograma colocado em prática pelos poloneses podia continuar efetivo, mas só se Rokossovsky pudesse garantir que não haveria guerras novas antes de 1956. Sem uma garantia assim, era melhor adotar a proposta de Chtemenko.

Não sabemos que planos estavam na prancheta para os militares soviéticos ou até que pontos eles foram realizados. Existem, todavia, provas suficientes para concluir que Stálin planejava uma séria ampliação militar. De acordo com números oficiais, o exército, que tinha sido reduzido a 2,9 milhões de soldados em 1949, tinha chegado a 5,8 milhões em 1953. O investimento nos ministérios militar e naval, assim como a produção de armas e equipamentos militares, cresceu 60% em 1951 e 40% em 1952. Como comparação, o investimento do governo nos setores não militares da economia soviética cresceu à taxa de 6% em 1951 e 7% em 1952

Stalin, Oleg V. Khlevniuk