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8 de julho de 2015

No início do século XVI, quando os primeiros europeus chegaram à China pelo mar, os chineses justificadamente consideravam seu país o maior da Terra. Era a maior e mais populosa nação do mundo, com uma civilização bem mais antiga e duradoura do que qualquer outra na Europa.

Seus habitantes supunham que o Império Celestial, como era conhecido, localizava-se no centro do Universo. Ninguém podia competir com suas realizações culturais e intelectuais; os forasteiros eram menosprezados como bárbaros ou “demônios estrangeiros” que podiam compreensivelmente querer imitar a China, mas cuja a influência corruptora devia ser mantida a distância.

Nem tampouco qualquer tecnologia européia era desconhecida dos chineses, os quais estavam à frente da Europa em quase todas as áreas: a bússola, a pólvora e os livros impressos encontrados a bordo de navios europeus, todos eram inovações chinesas. Os exploradores portugueses, que tinham navegado a partir do seu posto comercial em Malaca na península da Malásia em busca das lendárias riquezas do Oriente, foram recebidos com complacência — a China era auto-suficiente e não lhe faltava nada.

No livro História do Mundo em 6 Copos, de Tom Standage