Hitler

Ian Kershaw, Grã-Bretanha

#804

30 de maio de 2019

O rompimento de qualquer aspecto do governo coletivo ao longo dos seis anos anteriores deixou Hitler numa posição em que tomava decisões sozinho. Ninguém duvidava que ele tinha o direito de decidir — o efeito sufocante dos anos de expansão do culto ao Führer levou a isso — e que suas decisões deveriam ser executadas. […]

#796

19 de maio de 2019

Em dezembro de 1922, Hitler explicou para Eduard Scharrer, coproprietário do Münchner Neueste Nachrichten e favorável ao Partido Nazista, o delineamento da aliança estrangeira que detalharia em Mein Kampf. Ele descartava a rivalidade colonial com a Grã-Bretanha, que havia causado conflito antes da Primeira Guerra Mundial. Em suas palavras: “A Alemanha teria de se adaptar […]

#795

18 de maio de 2019

A ditadura de Hitler tem a característica de um paradigma para o século XX. De forma intensa e extrema, ela significou, entre outras coisas, a reivindicação total do Estado moderno, graus imprevistos de repressão e violência estatal, manipulação sem paralelo anterior dos meios de comunicação para controlar e mobilizar as massas, cinismo sem precedentes nas […]

#792

14 de maio de 2019

Em 1940, Hitler estava na zênite de seu poder. Contudo, não tinha poder suficiente para conduzir a guerra nos termos que queria. E, na Alemanha, era impotente para evitar que o governo do Reich saísse cada vez mais do controle. As tendências já evidentes antes da guerra — dualismo não resolvido entre partido e Estado, […]

#791

13 de maio de 2019

“Todos os que têm oportunidade para observar sabem que o Führer só pode, com grande dificuldade, ordenar de cima tudo o que pretende realizar mais cedo ou mais tarde. Ao contrário, até agora cada um trabalhou melhor na nova Alemanha se, por assim dizer, trabalhou para o Führer.” Essa era a ideia central de um […]

#786

7 de maio de 2019

Mussolini levou a Itália a entrar na guerra uma semana antes do armistício, na esperança de lucrar com a ação antes que tudo terminasse, a tempo de colher ricas sobras e deleitar-se com a glória de uma vitória barata. Hitler não ficou feliz ao saudar seu novo camarada de armas quando foi, em 18 de […]

#785

6 de maio de 2019

A ofensiva alemã contra as potências ocidentais avançou num ritmo tão impressionante que assombrou o mundo. Até mesmo Hitler e seus comandantes militares não esperavam por esse nível de sucessos iniciais. No flanco setentrional, os holandeses renderam-se em cinco dias, e a rainha e o governo exilaram-se na Inglaterra. Antes disso, o bombardeio aterrorizante da […]

#782

3 de maio de 2019

Os anos de sucessos espetaculares — todos atribuídos por ele ao “triunfo da vontade” — e a adulação pura que o cercava a cada momento, o culto ao Führer sobre o qual o “sistema” estava construído, haviam apagado completamente nele o pouco senso que tinha de suas limitações. Isso o levou a uma calamitosa superestimação […]

#347

5 de fevereiro de 2017

Por que e quando Hitler se tornou o antissemita obcecado e patológico, conhecido desde o texto de seu primeiro tratado político de 1919 até a redação de seu testamento no bunker de Berlim, em 1945? Visto que seu ódio paranoico moldaria as políticas que culminaram no assassinato de milhões de judeus, trata-se evidentemente de uma […]

#346

4 de fevereiro de 2017

Por que e quando Hitler se tornou o antissemita obcecado e patológico, conhecido desde o texto de seu primeiro tratado político em 1919 até a redação de seu testamento no bunker de Berlim em 1945? Visto que seu ódio paranoico moldaria as políticas que culminaram no assassinato de milhões de judeus, trata-se evidentemente de uma […]

#335

8 de janeiro de 2017

— Certa vez, eu estava passeando pelo centro da cidade e encontrei de repente uma aparição de cafetã preto e tranças negras. Isso é um judeu?, foi a primeira coisa que pensei. — Pois, com certeza, eles não tinham essa aparência em Linz. Observei o homem furtiva e cautelosamente, mas, quanto mais eu olhava para […]

#315

23 de novembro de 2016

Ocasionalmente, a máscara escorregava, Albert Krebs, que foi Gauleiter de Hamburgo, relatou um cena de início de 1932 que lembrou uma comédia francesa. Do corredor elegante Hotel Atlantik, ele pôde ouvir Hitler gritando em tom lamentoso: “Minha sopa, [quero] minha sopa”. Krebs o encontrou minutos depois curvado sobre uma mesa redonda de seu quarto, bebendo […]

#312

16 de novembro de 2016

Hitler disse a Hans Frank que Landsberg fora sua “universidade paga pelo Estado”. Segundo seu relato, ele leu tudo o que pôde: Nietzsche, Houston Stewart Chamberlain, Ranke, Treitschke, Marx, Gedanken und Erinnerungen (Pensamentos e memórias) de Bismarck e as memórias da guerra e generais e estadistas alemães e aliados. Além de receber visitantes e responder […]

#234

18 de maio de 2016

August Kubizek — “Gustl” — era cerca de nove meses mais velho que Adolf. Conheceram-se por acaso no outono de 1905 (não de 1904, como afirmou Kubizek) no teatro lírico de Linz. Havia alguns anos que Adolf era admirador fanático de Wagner, e seu amor pela ópera, em especial pelas obras do “mestre de Bayreuth”, […]

#195

14 de fevereiro de 2016

O Führer descartou categoricamente, como sempre fizera, qualquer possibilidade de capitulação. Declarou que um colapso do Reich alemão estava fora de questão. Mas as observações que fez depois traíam o fato de que estava contemplando precisamente essa ideia. Tal colapso representaria “o fim de sua vida”, declarou. Estava claro que, nessa eventualidade, o bode expiatório […]

#194

13 de fevereiro de 2016

Junto com a sede por vingança brutal, o atentado fracassado do Exército (Operação Valquíria) deu mais um poderoso alento ao seu sentimento de caminhar com o destino. Com a “Providência” ao seu lado, como ele imaginava, sua sobrevivência era para ele a garantia de que cumpriria sua missão histórica. O atentado intensificou a queda no […]

#184

20 de janeiro de 2016

Indivíduos muito mais bem-dotados do que Hitler teriam se sentido sobrecarregados e incapazes de dar conta da escala e da natureza dos problemas administrativos envolvidos na condução de uma guerra mundial. Os triunfos de Hitler na política externa, nos anos 1930, depois como líder da guerra, até 1941, não se deviam ao seu “gênio artístico” […]

#165

6 de dezembro de 2015

Sem a mudança das condições — uma guerra perdida e suas consequências, uma revolução e um sentimento difuso de humilhação nacional —, Hitler teria permanecido um ninguém. Sua principal habilidade até então, como ele veio a perceber no decorrer de 1919, era ser capaz de inspirar, nas circunstâncias propícias, uma plateia que compartilhasse seus sentimentos […]

#160

25 de novembro de 2015

A Primeira Guerra Mundial tornou Hitler possível. Sem a experiência da guerra, a humilhação da derrota, a instabilidade resultante da revolução de 1918-19, o artista fracassado e marginal social não teria descoberto o que fazer da vida, não teria entrado para o Exército, para a política e encontrado seu oficio de propagandista e demagogo de […]