Impérios do Mar

A batalha final entre cristãos e muçulmanos pelo controle do Mediterrâneo

Rober Crowley, Grã-Bretanha

#611

13 de setembro de 2018

Depois de Lepanto, espanhóis e otomanos chegaram a um tratado em 1580 que reconheceu um impasse entre dois impérios e dois mundos. A partir desse momento, a fronteira diagonal que percorria o cumprimento do Mediterrâneo, entre Istambul e os portões de Gibraltar, endureceu. Os concorrentes deram as costas um para o outro; os otomanos lutaram […]

#568

30 de junho de 2018

Quando a notícia chegou à cidade, não houve tristeza coletiva. Os cristãos “não podiam andar nas ruas, com medo das pedras que eram lançadas contra eles pelos turcos, que estavam universalmente em luto, por um irmão, um filho, um marido ou um amigo”. No entanto, a resposta de Solimão o Magnífico foi, estranhamente, muda. Ambos […]

#559

14 de junho de 2018

Para o imperador Carlos V, as balas de canhão francesas em La Goletta foram um presságio perturbador dos eventos prestes a acontecer. Em 1536, ele embarcou em uma guerra exaustiva de dois anos contra Francisco I da França. Um verdade amarga de uma Europa fragmentada era a de que o rei católico gastaria mais tempo, […]

#558

12 de junho de 2018

Durante o inverno de 1534-35, Carlos V lançou-se no planejamento de uma expedição marítima para Túnis. Requisitou homens e navios de todo o império. Os transportes saíram de Antuérpia com protestantes acorrentados para remar as galeras. As tropas marchavam da Alemanha, da Espanha e da Itália até os pontos de coleta na costa. Doria reuniu […]

#555

6 de junho de 2018

Na esteira de toda a euforia da grande vitória havia pequenos atos de cavalheirismo. Dizem que dom João da Áustria ficou desconcertado com a morte de Ali Paxá; ele reconheceu o kapudan paxá um adversário digno. É irônico o fato de que esses dois dos mais humanos comandantes, vinculados por um código de honra compartilhado, […]

#554

3 de junho de 2018

Lepanto foi para o cristianismo o que foi Trafalgar para a coalizão anti-napoleônica — um evento sinalizador que tomou conta de toda a Europa. Eles celebraram tanto quanto os protestantes luteranos de Londres e da Suécia. Dom João da Austria tornou-se instantaneamente o herói da época, objeto de inúmeros poemas, peças de teatro e periódicos. […]

#551

27 de maio de 2018

Lepanto foi uma cena de devastação impressionante, como uma pintura bíblica do fim do mundo. A escala do massacre deixou até mesmo os vencedores exaustos, abalados e chocados com a obra de suas mãos. Em quatro horas, havia 40 mil homens mortos, cerca de 100 embarcações destruídas e 137 navios muçulmanos capturados pela Liga Santa. […]

#550

26 de maio de 2018

O que os sobreviventes lembrariam — quando recordassem a batalha de Lepanto — era o barulho. “Tão grande era o ribomar dos canhões no início”, escreveu Caetani, “que não é possível imaginar ou descrever”. Atrás da detonação vulcânica das armas, vinham outros sons: o estalo agudo dos remos como tiros sucessivos de pistola, os choques […]

#549

23 de maio de 2018

Na primavera de 1565, o grão-mestre tinha setenta anos. Atrás dele havia uma vida de serviço ininterrupto à ordem. Excepcionalmente entre os cavaleiros, a partir do momento em que vestiu a túnica da ordem, aos vinte anos, nunca mais voltou para a casa de sua família, na França. Ele dera tudo para a guerra em […]

#542

6 de maio de 2018

Na linha de frente era impossível para os defensores mostrar a cabeça sobre o parapeito sem que fossem baleados. Às vezes somente pesadas armaduras garantiam sua sobrevivência. Em 28 de agosto, um soldado italiano, Lorenzo Puche, estava conversando com o grão-mestre quando foi atingido na cabeça por um tiro de arcabuz. Seu elmo recebeu toda […]

#541

5 de maio de 2018

Nas cartas que La Vallete enviava dia após dia para a Sicília e a Itália continental pedindo socorro, ele nunca deixou de sublinhar a importância estratégica de Malta que estava agora sitiada pelo exército otomano. Sua perda deixaria a Europa cristã como “uma fortaleza sem revelim”. A metáfora não foi desperdiçada com seu público. Desde […]

#528

4 de abril de 2018

Em 1528, Carlos V conseguiu roubar os serviços de Andrea Doria, o grande almirante genovês da época, de seu rival, o rei da França. Doria era membro da antiga nobreza da cidade e um condottiere, um soldado de fortuna. Desiludido com Francisco I, mudou de lado por honorários consideráveis, mas ele representava um bom valor […]

#516

7 de março de 2018

Desde a queda de Rodes, os cavaleiros de São João vinham perambulando sem teto pelo Mediterrâneo. L’Isle Adam tinha dirigido a cada um dos potentados da Europa uma petição de uma nova base para continuar a missão da ordem santa. Em Londres, Henrique VIII tinha recebido o velho homem com gentileza e lhe fornecido armas. […]

#512

25 de fevereiro de 2018

Na chuva de outono de 1529, o cerco de Viena liderado por Solimão o Magnífico tinha sido paralisado. No início de outubro, começou a esfriar; as linhas de abastecimento se tornaram mais prolongadas, e o tempo hostil. No dia 14 daquele mês, ele fez um pequeno registro em seu diário de campanha, no estilo telegráfico habitual, […]

#371

2 de abril de 2017

Os corsários que acompanhavam Barbarossa e atendiam sua vontade ferro — e lhe davam doze por cento de suas receitas — arrastavam suas lendas terríveis menores pelos mares. Eles vinham de todos os pontos da bússola. Muitos eram cristãos renegados, para quem não havia volta, exilados de sua terra natal por crime ou pela captura […]

#368

26 de março de 2017

Com sua aproximação, os navios cristãos se rendiam sem luta, ou suas tripulações se atiravam ao mar, preferindo a morte rápida à tortura prolongada das galeras. Diziam que seus estratagemas eram incalculáveis, suas crueldades, refinadas, sua raiva, vulcânica. O conhecimento de Barbarossa sobre o mar, proveniente de milhares de viagens, era incomparável, e as informações […]

#367

25 de março de 2017

A despeito dos sucessos, a Espanha nunca teve uma política coerente para resolver o problema do Norte da África; o fantasma do infame pirata Oruch se ergueu dos mortos na pessoa de seu irmão mais novo, e mais astuto. Hizir, que nunca esquecia ou perdoava uma lesão ou um insulto, levou adiante o compromisso com […]

#323

11 de dezembro de 2016

O divisor de águas estava bem vivo na memória dos muçulmanos: 1492, o ano de Colombo, quando Isabel e Fernando, reis de Aragão e Castela, tinham desalojado o último reinado mouro de Granada. Os muçulmanos, que viviam na península Ibérica havia oitocentos anos, logo perderam seu lugar. Muitos cruzaram o Estreito de Gibraltar para o […]

#322

10 de dezembro de 2016

Em meados do século XVI, o Mediterrâneo era um par de desaparecimentos, um lugar onde as pessoas que trabalhavam nas áreas costeiras simplesmente desapareciam: o pescador solitário partindo em seu barco; o pastor com seu rebanho à beira-mar; os lavradores colhendo milho ou cuidando das videiras, às vezes vários quilômetros da terra adentro; os marinheiros […]

#299

16 de outubro de 2016

Os acontecimentos de 1453 fizeram parte de um grande fluxo e refluxo na luta entre o islamismo e o cristianismo. Do século XI ao XV, a cristandade, no ímpeto das Cruzadas, tinha dominado o Mediterrâneo. Havia criado um mosaico de pequenos estados na costa da Grécia e nas ilhas do mar Egeu, que ligava o […]

#298

15 de outubro de 2016

Até 1530, a guerra entre o sultão e o imperador se estendia por toda a Europa e a cristandade se achava, em todos os lugares, com o pé atrás. A metáfora central do famoso hino protestante de Martinho Lutero, “uma fortaleza poderosa é nosso Deus”, não foi escolhida ao acaso: Solimão estava sitiando Viena na […]

#291

28 de setembro de 2016

Muito antes dos quarteirões de escritórios em todo o Chifre de Ouro, antes mesmo das mesquitas, havia uma Igreja. O domo de Santa Sofia se destacou isolado contra o horizonte por mil anos. Quem subisse ao topo em algum momento da Idade Média teria uma vista panorâmica da “cidade coroada pela água”. Dali fica bastante […]

#279

31 de agosto de 2016

Quinhentos anos atrás, as pessoas vivenciavam o mar de maneira bem diferente. A costa era um litoral de fome, despojado precocemente das árvores e em seguida do solo, por homens e cabras. No século XIV, Creta era capaz de fornecer a Dante uma imagem de ruína ecológica. “No meio do mar há uma terra perdida”, […]