“O centro sempre vale mais que os extremos.”
— Cardeal Mazarin

#155

14 de novembro de 2015

Ainda que não fosse uma informação pública, a notícia de seu projeto de comprar O Jornal estava longe de ser um segredo. Chateaubriand morreu convencido de que Artur Bernardes só soube do negócio horas depois de ele ter assumido formalmente a posse da empresa — embora alguns de seus colaboradores, como Alceu Amoroso Lima e […]

#154

12 de novembro de 2015

Em sua “solidão amigável” (amica solitudo), como a chama em De Vulgari Eloquentia, ele havia passado muito tempo ponderando sobre obrigações morais, problemas de desassossego social, princípios de governo e projetos sem sentido histórico. Antes do exílio, ao iniciar seu estudo de filosofia, Dante encontrara esclarecimento nos escritos de Cícero e Boécio. Ele também começara […]

#153

10 de novembro de 2015

Mesmo antes do modesto início do ashram, em maio de 1915, Gandhi manteve seus primeiros encontros com uma emergente liderança muçulmana. Na verdade, em sua primeira semana na Índia, Muhammad Ali Jinnah, futuro fundador do Paquistão, presidiu uma recepção que os guzerates de Bombaim ofereceram a Gandhi e fez o discurso de boas-vindas. Na superfície, […]

#152

8 de novembro de 2015

Por meses, após o acordo dos americanos com Darlan, os exilados europeus se encontraram no White Tower, no YorkMinster e em outros restaurantes e pubs preferidos de Londres para fumar cigarros sem fim e discutir as implicações do acordo. Os Franceses Livres, claro, eram os mais diretamente afetados. Mas os outros emigrés — noruegueses, poloneses, […]

#151

7 de novembro de 2015

A comitiva mais espetacular do Jubileu de 1650, foi sem dúvida a do embaixador espanhol, o duque de Infantado, representante do rei Felipe IV. Ele chegou escoltado por 300 carruagens, 100 delas arrebanhadas pelo príncipe Ludovisi entre seus amigos e vizinhos. Era um número satisfatório, pois o embaixador francês só conseguira reunir o embaraçoso número […]

#150

5 de novembro de 2015

Os europeus tiveram o primeiro contato com as batatas nos anos 1530, quando os conquistadores espanhóis se aventuraram na tomada do Império Inca, que se estendia até a costa oeste do continente sul-americano. Elas eram o esteio da dieta inca, ao lado do milho e do feijão. Originalmente domesticadas na região do lago Titicaca, espalharam-se […]

#149

3 de novembro de 2015

O dardo arremessado por um editorialista inglês em Johannesburgo iria se tornar constante no arsenal de argumentos do próprio Gandhi. “Não nos puniu uma Nêmesis justa pelo crime da intocabilidade?”, perguntaria ele em 1931. “Não colhemos o que semeamos? […] Segregamos o ‘pária’ e somos, por nossa vez, segregados nas colônias britânicas. […] Não há […]

#148

1 de novembro de 2015

Embora a cultura do vinho tenha permanecido razoavelmente intacta na Europa cristã, os padrões de bebida transformaram-se dramaticamente em outras partes do antigo mundo romano, como conseqüência do crescimento do Islã. Seu fundador, o profeta Maomé, nasceu em torno de 570 d.C. Ao 40 anos, sentiu-se convocado para tornar-se profeta, tendo uma série de visões […]

#147

31 de outubro de 2015

No fim do século XIX, Lord Salisbury, então primeiro-ministro da Inglaterra, dissera com um torcer de nariz: “A Inglaterra não solicita alianças. Ela as concede.” Winston Churchill nunca teve tal luxo. Como a Inglaterra enfrentou uma possível invasão germânica em 1940 e 1941, o primeiro-ministro necessitou de todos os aliados que pudesse conseguir, não importava […]

#146

29 de outubro de 2015

A dependência que os potentados tinham dos poetas por sua fama, tanto durante a vida deles como na posteridade, era uma antiga tradição. Tal patronato funcionava de dois modos. Era vantajoso para um poeta elevar sua fama às estrelas, e quanto mais ilustre um poeta se tornasse, maior o renome do patrono e sua esperança […]

#145

27 de outubro de 2015

Tudo o que tivesse a ver com a África do Sul e coincidisse com as primeiras atividades políticas de Gandhi, estava ligada, em última análise, ao ouro e a tudo aquilo que as novas minas descobertas trouxeram consigo — altas finanças, litígios trabalhistas e a primeira experiência importante, no século XX, de um tipo de […]

#144

25 de outubro de 2015

Somente uma mulher na história da China — Wu Zetian — se declarara imperatriz e governara o país como tal. Entretanto, para isso tivera de enfrentar uma oposição feroz, que sufocou lançando mão de meios de uma crueldade horripilante. Na longa lista de assassinatos sangrentos por ela perpetrados estava o do seu próprio filho, o […]

#143

24 de outubro de 2015

A imperatriz-viúva Cixi se enfurecia com os preconceitos imemoriais contra as mulheres. Durante a apresentação de uma ópera, quando um cantor entoou um verso muito conhecido, “o mais cruel de todos é o coração da mulher”, ela teve um acesso de cólera e ordenou que o cantor deixasse o palco. Sua rejeição a essa atitude […]

#142

21 de outubro de 2015

Em 1785 Goya foi contratado para pintar o retrato dos diretores de uma instituição financeira, recentemente fundada, o Banco Nacional de San Carlos. No essencial, os resultados foram medíocres como quadros; mas os clientes não acharam a mesma coisa, e essa encomenda posicionou Goya de forma consideravelmente mais segura como um retratista social de Madri. […]

#141

18 de outubro de 2015

A mensagem central da fala de Goebbels de 18 de fevereiro de 1943 era: só a Wehrmacht e o povo alemão têm condições de deter a arremetida bolchevista, mas para isso é preciso agir com rapidez e radicalismo. Como não podia deixar de ser, o discurso continha uma passagem antisemita bastante violenta repisando contra quem […]

#140

17 de outubro de 2015

Em meados de fevereiro, tendo percebido que a “dita comissão tríplice” adotava resoluções sem sua participação, Goebbels protestou junto a Bormann, assim como na Chancelaria. Mas, ao que parece, o expediente não teve sucesso: afinal, o decreto do Führer não previa sua participação nas decisões da comissão, e ele acabou achando melhor não insistir nisso […]

#139

14 de outubro de 2015

O banquete, realizado em 7 de março de 1889 e durante o qual diplomatas ocidentais a cumularam de louvores, marcou um ponto alto de seu reinado. Um convidado que fez uso da palavra, espontaneamente, naquele dia, foi Charles Denby, ministro americano em Beijing, de 1885 a 1898. Mais tarde ele discorreu, em seu livro acerca […]

#138

11 de outubro de 2015

O telegrama Kruger mostrara aos britânicos que o resto da Europa se ressentia de sua influência e poder. No fim de 1896, Salisbury, cujas tentativas de coordenar as grandes potências em torno das questões envolvendo a Turquia, a China e a guerra grega tinham sido persistentemente rechaçadas, comentara que a única grande potência “que não […]

#137

10 de outubro de 2015

No Jubileu de 1897, os eventos, festas ao ar livre, desfiles e comemorações de rua prosseguiram até julho. Em Spithead, o príncipe de Gales passou em revista a maior esquadra de reluzentes navios de guerra jamais reunida num mesmo lugar: 773 embarcações alinhadas ao longo de 11 quilômetros. A marinha afirmou que nenhum navio fora […]

#136

7 de outubro de 2015

Aquele era um caso que só mesmo um advogado sem clientes teria aceitado. Ao desembarcar na África do Sul, Mohandas Karamchand Gandhi era um assistente jurídico de 23 anos, inexperiente e desconhecido, e vinha de Bombaim, onde seus esforços para se firmar como advogado se arrastavam sem êxito havia mais de ano. Sua estada no […]

#135

4 de outubro de 2015

O capricho 40 — ¿De qué mal morirá? [De que doença ele morrerá?] — mostra o asno de terno, sentado à cabeceira do leito de um homem moribundo, do qual toma o pulso com seu casco. A expressão da cara do animal é delicadamente hilária, uma mistura absurda de solicitude e de perplexidade; é óbvio […]

#134

3 de outubro de 2015

Goya expôs seus sentimentos sobre a necessidade do espontâneo, que eram intensos e sentidos em seu próprio âmago, num relatório que emitiu para a Academia de San Fernando em 1792, ano em que sua doença o atacou, numa época em que ele ainda tinha três décadas pela frente como pintor. “Não existem regras na pintura”, […]

#133

30 de setembro de 2015

A imperatriz-viúva e o conde Li sabiam que a França estava profundamente empenhada na ocupação da África e não tinha nenhum interesse numa guerra prolongada com a China. A paz era um objetivo viável, e em Tianjin o conde conseguiu chegar a um acordo com o comandante Fournier, que já tinha na conta de amigo. […]

#132

27 de setembro de 2015

Depois das eleições, a principal preocupação de Goebbels era saber se e como Hitler cumpriria a promessa de lhe dar uma pasta no governo. No começo de março, em face das dificuldades para a criação do prometido ministério, ele já estava disposto a desistir do projeto. No dia das eleições do Reichstag, quando Hitler tornou […]

#131

26 de setembro de 2015

Nenhum Orsini da sua geração foi mais determinado em ascender por seus próprios méritos do que Troilo Orsini, que tinha exatamente a mesma idade do primo e chefe da família, Paulo Orsini. A linhagem de sua família, os Monterotondo, assim chamada por causa do feudo que possuía 20 km a noroeste de Roma, era aquela à […]

#130

23 de setembro de 2015

Como nenhuma instituição antes dela, em 1660 a Royal Society nasceu dedicada ao fluxo de informações. Ela exaltava a comunicação e condenava o segredo. “Tão longe estão as estreitas concepções de uns poucos escritores particulares, em uma era obscura de se igualarem a um desígnio tão vasto”, declararam seus fundadores. A ciência existia — não […]

#129

20 de setembro de 2015

A “Troca Colombiana” de produtos entre o Velho e o Novo Mundo, na qual trigo, açúcar, arroz e bananas deslocaram-se para oeste e milho, batatas, tomates e chocolate deslocaram-se para leste (mencionado apenas alguns exemplos), representa uma grande parte da história, mas não toda ela. Os europeus também deslocaram produtos agrícolas de um lado para […]

#128

19 de setembro de 2015

O retrato do rei Carlos II da Inglaterra pintado por volta de 1675 não é simples como parece. O rei é mostrado usando um paletó até a altura dos joelhos e calções, de pé nos primorosos jardins de uma grande casa. Dois cães spaniels o acompanham, e perto dele ajoelha-se John Rose, o jardineiro real, […]

#127

16 de setembro de 2015

Na primavera de 1852, numa das periódicas seleções nacionais de consortes imperiais, uma mocinha de 16 anos chamou a atenção do imperador e foi escolhida como concubina (um imperador chinês tinha direito a uma imperatriz e a quantas concubinas lhe aprouvesse). Nos registros da corte ela figurava simplesmente como “a mulher da família Nala”, sem […]

#126

13 de setembro de 2015

Getúlio retornou ao Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1938. Na mesma data, na capital gaúcha, morria o general Daltro Filho. Em respeito ao luto oficial, o presidente deixou o Rio Grande do Sul sem anunciar a nomeação de Cordeiro de Lima como interventor. Políticos rio-grandenses de todos os matizes procuraram Viriato Vargas, […]

#125

12 de setembro de 2015

“Se um rio-grandense pode governar o Brasil, por que um brasileiro não pode governar o Rio Grande?”, indagou Getúlio, durante discurso pronunciado da janela do palácio do governo gaúcho. Era uma forma de preparar os conterrâneos para a nomeação de um novo interventor, estranho ao estado. A reação popular à frase foi glacial. Ninguém aplaudiu. […]

#124

9 de setembro de 2015

As montanhas eram um emaranhado de muitos povos diferentes, tanto arianos quanto aborígines, e mesmo as tribos medas eram governadas por uma multidão de belicosos chefetes. A ocupação assíria, no entanto, ao impor uma autoridade única na região, começara a encorajar as fracionadas tribos a se reunirem. O colapso do reino de Elam deixou um […]

#123

6 de setembro de 2015

A antipatia de Roosevelt pelo colonialismo britânico foi reforçada por um editorial da Life, de 12 de outubro de 1942, intitulado “Uma Carta Aberta ao Povo da Inglaterra”. Nele, os editores da revista declararam: “De uma coisa estamos certos: não estamos lutando para manter o Império Britânico intacto. Não gostamos de deixar o assunto de forma […]

#122

5 de setembro de 2015

Quando o último imperador romano abdicou, em 476 d.C., só sobrou o imperador da distante Constantinopla. Em caso de necessidade, ele às vezes enviava tropas para ajudar Roma; mas geralmente não fazia nada, já tendo problemas suficientes perto de casa. Assim sendo, o povo romano passou a esperar que a única autoridade restante na cidade […]

#121

2 de setembro de 2015

Getúlio passou dias tranquilos em São Borja. Reviu parentes, vestiu bombachas, tomou litros de chimarrão e posou para fotografias ao lado de velhos peões da fazenda, os mesmos que conhecera ainda menino. A presença do filho presidente levantou o velho Manuel Vargas da cadeira de balanço e o fez arriscar até mesmo uma leve cavalgada. Quando […]

#119

29 de agosto de 2015

Em julho de 1862, Kropotkin foi com seus colegas cadetes ao desfile anual de formatura. Os candidatos foram examinados pessoalmente pelo tsar no modo como conduziam seus cavalos e evoluíam nas manobras. Alexandre II então os promoveu a oficiais. Os jovens apearam; o tsar permaneceu a cavalo. — A mim os oficiais promovidos — gritou […]

#117

23 de agosto de 2015

“O motor de um movimento ideológico”, asseverou Goebbels num discurso no congresso nacional do NSDAP em agosto de 1927, não era “cognitivo, e sim confessional”. Como por exemplo, citou, além dos escritos de Jean-Jacques Rousseau e do Capital de Karl Marx, sobretudo o Sermão da Montanha. “Cristo não apresentou nenhuma prova no Sermão da Montanha”, […]

#116

22 de agosto de 2015

Quando a propaganda nazista em geral passou a conferir grande importância ao discurso, quem mais se destacou foram o NSDAP de Berlim e o seu Gauleiter, Joseph Goebbels. Nos anos passados na capital do Reich, Goebbels, já um orador talentoso, aprimorou ainda mais sua capacidade retórica: não havia melhor publicidade do que anunciá-lo como orador […]

#115

19 de agosto de 2015

Alexandre II, o descendente de reis, sentia que a liberdade [abolindo a servidão e aplicando uma reforma liberal] era a única base real da grandeza, mas ele descobrira que o princípio era mais fácil de compreender do que de aplicar, e não tinha ideia de como transmitir sua descoberta a seus súditos. Claro que apenas […]

#114

16 de agosto de 2015

Mesmo os que acreditavam realmente tornaram-se cínicos, ou desesperados. O desânimo foi dissipado por Václav Havel e outros que apontaram um caminho que, nas palavras do escritor Ludvík Vaculík, permitia às pessoas sobreviver como “cidadãos de um Estado que nunca vamos abandonar, mas no qual não podemos viver satisfeitos”. Contudo, alguns não conseguiam ver que […]

#112

12 de agosto de 2015

Nem mesmo depois de sua primeira grande vitória, deixou de lado seu jeito ponderado, sua sutileza de agir. Os reis da Assíria, levando os tradicionais direitos de conquistas a extremos de selvageria, haviam praticado indescritíveis crueldades contra inimigos derrotados. Os medos aplicaram os mesmos métodos ao derrotarem os assírios. Mas Ciro o Grande, pensando em […]

#111

9 de agosto de 2015

“Pintei meu pai, Wilhelm Kahlo, de origem húngaro-alemã, artista fotógrafo de profissão, de caráter generoso, inteligente e refinado, e valente porque sofreu durante 60 anos de epilepsia, porem jamais deixou de trabalhar e lutou, com fervor contra Hitler… Sua filha, Frida Kahlo”. No livro Frida, A biografia, de Hayden Herrera

#110

8 de agosto de 2015

Começava então um verdadeiro jogo de gato e rato entre os japoneses, a polícia e a horda de dedos-duros — brasileiros, quase sempre. Embora os “inspetores de quarteirão” fossem a autoridade mais próxima dos japoneses, e portanto a mais temida, os imigrantes sabiam que não podiam confiar em ninguém. Decididos a não entregar os pontos, […]

#109

5 de agosto de 2015

Sua propaganda, admitiu Goebbels, não se pautava por um método independente nem por uma teoria: “Ela só tem um objetivo: e esse objetivo na política é sempre a conquista das massas. Todo meio que leva a esse objetivo é bom. E todo meio que se afasta desse objetivo é ruim. […] Os métodos de propaganda […]

#108

2 de agosto de 2015

Que um reinado tão poderoso quanto a Média, menos de um século depois de se erguer pela primeira vez para a independência e a grandeza derrotando os assírios, pudesse de novo ser subjugado e submetido a dominação estrangeira, é algo que, para muitos, deve parecer implausível. Mas isso, como os próprios medos sabiam muito, sempre […]

#107

1 de agosto de 2015

O rompimento de relações entre Brasil e Japão transformou a vida da colônia em um inferno. Duas velhas leis que nunca tinham sido aplicadas foram desenterradas e colocadas em prática. A primeira delas, de 1933, fora aprovada no auge da xenofobia dos “eugenistas” e proibia o ensino da língua japonesa a qualquer criança menor de 10 […]

#106

29 de julho de 2015

A palavra especiaria vem do latim species, que é também a raiz de palavras como especial, especialmente e assim por diante. O sentido literal de species é “tipo” ou “variedade” – a palavra ainda é usada nesse sentido em biologia –, mas ela passou a denotar itens valiosos porque era usada para designar os tipos […]

#105

25 de julho de 2015

“Não aguento mais a agonia. Preciso pôr no papel a amargura do coração. Else me dá um caderno comum. Em 17 de outubro inicio meu diário.” Em 1923, Goebbels toma essa decisão — à qual se manterá fiel até as últimas semanas de vida: o diário seria o seu companheiro permanente. A agonia e a […]

#104

20 de julho de 2015

No início da década de 1950, seu amigo Michele Besso usa um tom de culto ao herói. Quando ele se dirige a Einstein com as palavras “querido amigo de intelecto poderoso”, ele obtém por resposta: “Eu sou mesmo um velho amigo, mas quanto ao título de ‘poderoso’, só posso dizer ‘coitadinho’ (Nebbich), se é que […]

#103

17 de julho de 2015

Glasnost — “abertura” — também era uma festa itinerante, sujeita a interpretações. Ela começou cuidadosamente, ficou mais corajosa e teve como consequência uma ampla transformação no modo como os soviéticos e os europeus do Leste se viam. Gorbachev acreditava que se o povo soubesse mais sobre como a União Soviética funcionava — ou não estava […]