#820

16 de junho de 2019

Johannes Brahms uma vez disse que os dois maiores eventos no período de sua vida foram da Sociedade Bach, fundada em 1850 para realizar a edição das obras completas de Bach, — vinte anos mais tarde — a declaração do Reich ou Estado Alemão, que transformou as províncias germânicas em um Estado (também conhecido como […]

#819

15 de junho de 2019

O primeiro Festival de Bayreuth aconteceu em 1876; o próprio kaiser esteve presente, assim como muitos notáveis do Reich. Por intermédio da generosidade de seu patrono, Ludwig da Baviera, o compositor pôde construir em Bayrouth uma esplêndida villa para ele mesmo; ele a chamou de Wahnfried, ou Paz da Ilusão. Wagner morreu de ataque cardíaco […]

#818

14 de junho de 2019

“Eu abriria mão facilmente do resto dos meus relacionamentos humanos”, disse mais tarde Nietzsche: “Eu não deveria querer desistir a qualquer preço de meus dias em Triebschen [com Wagner]” — dias de confiança, de alegria, de sublimes acasos, de momentos profundos. Mas ele chamou de “ação e arte secretas” de seu instinto (o chamado “da […]

#817

13 de junho de 2019

Os ingleses lavaram e passaram a ferro a imagem de Drake para fazer dele um herói nacional aceitável, mas no resto do mundo ele continuou a ser um aventureiro criminoso que em San Julian abolia toda a autoridade legítima e fez-se déspota de “uma sociedade sem classe e sem lei”, como escreveu um de seus […]

#816

12 de junho de 2019

O historiador inglês C. V. Wedgwood, cujo clássico relato da Guerra dos Trinta Anos foi publicado em 1938, cheio de ressonâncias do período em que foi escrito, observou que “Wallenstein, quiça o primeiro governante europeu a fazê-lo, havia concebido um Estado organizado exclusivamente para a guerra”. Agora alguém o imitava; Wallenstein criou uma escola para […]

#813

9 de junho de 2019

Por volta do fim de março de 1940, as filmagens principais de O grande ditador tinham terminado, os trabalhadores já começavam a limpar o estúdio e, no início de abril, Chaplin tinha editado grosseiramente o filme para mostrar a alguns amigos, como Constance Collier. A cena do clímax — o discurso final feito pelo barbeiro […]

#812

8 de junho de 2019

Pouco antes do Natal, Chaplin filmou a cena que hoje ainda continua assombrosa e a mais inspirada do filme: o balé de Hynkel com o globo terrestre. A primeira pista sobre uma cena simbólica desse tipo está em uma anotação aleatória, datada de 15 de fevereiro de 1939: “Cena com mapa: cortar para servir para […]

#805

31 de maio de 2019

Muito tempo depois, Chaplin admitiu: “Se eu soubesse dos horrores dos campos de concentração alemães, eu não teria feito O grande ditador, nem teria feito piada da insanidade homicida dos nazistas”. É verdade que depois se revelou que Hitler não era motivo de piada; mas não havia nada de frívolo nas mais profundas intenções de […]

#804

30 de maio de 2019

O rompimento de qualquer aspecto do governo coletivo ao longo dos seis anos anteriores deixou Hitler numa posição em que tomava decisões sozinho. Ninguém duvidava que ele tinha o direito de decidir — o efeito sufocante dos anos de expansão do culto ao Führer levou a isso — e que suas decisões deveriam ser executadas. […]

#803

28 de maio de 2019

Hitler tendia a pensar na economia em termos de quanto carvão, ferro, aço, gorduras comestíveis e grãos podiam ser extraídos de um determinado território. Via as economias internacionais como um jogo de soma zero, não como um processo em que o destino de todos estava vinculado em mútua interdependêpencia. Era assim, certamente, que ele via […]

#801

26 de maio de 2019

Nietzsche despejou todo o seu desprezo sobre os ideias da democracia e sobre a ideia de se trabalhar para o bem comum de um número cada vez maior de pessoas. “A massa da humanidade sacrificar-se para a prosperidade de uma única e mais forte espécie de homem — isto sim seria um avanço”, escreveu ele. […]

#796

19 de maio de 2019

Em dezembro de 1922, Hitler explicou para Eduard Scharrer, coproprietário do Münchner Neueste Nachrichten e favorável ao Partido Nazista, o delineamento da aliança estrangeira que detalharia em Mein Kampf. Ele descartava a rivalidade colonial com a Grã-Bretanha, que havia causado conflito antes da Primeira Guerra Mundial. Em suas palavras: “A Alemanha teria de se adaptar […]

#795

18 de maio de 2019

A ditadura de Hitler tem a característica de um paradigma para o século XX. De forma intensa e extrema, ela significou, entre outras coisas, a reivindicação total do Estado moderno, graus imprevistos de repressão e violência estatal, manipulação sem paralelo anterior dos meios de comunicação para controlar e mobilizar as massas, cinismo sem precedentes nas […]

#794

17 de maio de 2019

Mesmo na Alemanha, a primavera de 1942 levou à percepção de que as rações de alimentos dentro do Reich teriam de ser reduzidas. Em vista da convicção de Hitler de que a própria segurança do regimeestava ligada à manutenção dos padrões de vida alemães, foi com certeza uma das crises políticas mais graves por que […]

#793

16 de maio de 2019

Ainda que o bolo continental estivesse encolhendo, o Reich conseguiu consumir fatias cada vez maiores dele. Embora não fosse mais que uma potência mundial de médio tamanho, a força bruta permitiu que a Alemanha reorientasse uma proporção muito significativa do comércio e da produção europeus para si mesma. Entre 1940 e 1944, a contribuição dos […]

#792

14 de maio de 2019

Em 1940, Hitler estava na zênite de seu poder. Contudo, não tinha poder suficiente para conduzir a guerra nos termos que queria. E, na Alemanha, era impotente para evitar que o governo do Reich saísse cada vez mais do controle. As tendências já evidentes antes da guerra — dualismo não resolvido entre partido e Estado, […]

#791

13 de maio de 2019

“Todos os que têm oportunidade para observar sabem que o Führer só pode, com grande dificuldade, ordenar de cima tudo o que pretende realizar mais cedo ou mais tarde. Ao contrário, até agora cada um trabalhou melhor na nova Alemanha se, por assim dizer, trabalhou para o Führer.” Essa era a ideia central de um […]

#788

10 de maio de 2019

Hoje, com mais de meio século de existência, o paradigma totalitário ainda nos cativa. Ele explica corretamente algumas coisas. Hitler de fato teve papel fundamental no funcionamento do Reich e — talvez ainda mais — na forma alemã de governar a Europa: durante a guerra não houve governo verdadeiramente coletivo em nenhum sentido, e a […]

#787

9 de maio de 2019

A tentativa de criar um império baseado no nacionalismo não era nova. Os franceses tinham tido sua missão civilizadora, assim como os americanos, de maneira distinta. Numa comparação mais pertinente, os russos e os húngaros de antes de 1914 tentaram unir seus territórios por meio da difusão da sua língua e cultura. O que tornava […]

#786

7 de maio de 2019

Mussolini levou a Itália a entrar na guerra uma semana antes do armistício, na esperança de lucrar com a ação antes que tudo terminasse, a tempo de colher ricas sobras e deleitar-se com a glória de uma vitória barata. Hitler não ficou feliz ao saudar seu novo camarada de armas quando foi, em 18 de […]

#785

6 de maio de 2019

A ofensiva alemã contra as potências ocidentais avançou num ritmo tão impressionante que assombrou o mundo. Até mesmo Hitler e seus comandantes militares não esperavam por esse nível de sucessos iniciais. No flanco setentrional, os holandeses renderam-se em cinco dias, e a rainha e o governo exilaram-se na Inglaterra. Antes disso, o bombardeio aterrorizante da […]

#784

5 de maio de 2019

Dominar a Europa era o que realmente importava para os nazistas, pois eles acreditavam que o continente era o centro do sistema geopolítico mundial. Em 1904, o geógrafo britânico Halford Mackinder argumentara que “aquele que governa o Leste Europeu controla o Centro; quem controla o Centro controla a Ilha do Mundo; e quem controla a […]

#783

4 de maio de 2019

Hitler como construtor de impérios: talvez não seja assim que pensamos no Führer, mas certamente é uma das imagens que ele fazia de si mesmo. Os nazistas acreditavam que lhes coubera a tarefa de construir um império que os elevaria à condição de potência mundial. Com quase nenhuma experiência em colonialismo ultramarino a guiá-los e […]

#782

3 de maio de 2019

Os anos de sucessos espetaculares — todos atribuídos por ele ao “triunfo da vontade” — e a adulação pura que o cercava a cada momento, o culto ao Führer sobre o qual o “sistema” estava construído, haviam apagado completamente nele o pouco senso que tinha de suas limitações. Isso o levou a uma calamitosa superestimação […]

#781

2 de maio de 2019

O Super-homem tem antecedentes na Antiguidade, mas no século XIX ele renasceu da cabeça de Friedrich Nietzsche. Filho brilhante de um pastor luterano, Nietzsche foi eleito para um posto docente de enorme prestígio com apenas 24 anos de idade e foi vencido pela loucura vinte anos depois, tendo produzido uma sequência de textos visionários que […]

#770

19 de abril de 2019

Em 411 a.C. o povo de Atenas decidiu chamar de volta Alcibíades, a quem havia condenado à morte e que subsequentemente lutou ao lado de seus inimigos com sucesso devastador. Assim agiram porque, como um de seus comandantes disse à Assembleia, ele era “a única pessoa viva” capaz de salvar seu Estado. Pelo mesmo motivo, […]

#354

22 de fevereiro de 2017

Hitler mandou chamá-lo no dia seguinte tarde da noite: juntamente com Frick e Hess, eles prepararam uma série de projetos de lei. Primeiramente, trataram da lei da bandeira do Reich, que declarava a suástica o único símbolo nacional. A inovação foi ocasionada por um incidente em Nova York, quando, em protesto contra a política do […]

#347

5 de fevereiro de 2017

Por que e quando Hitler se tornou o antissemita obcecado e patológico, conhecido desde o texto de seu primeiro tratado político de 1919 até a redação de seu testamento no bunker de Berlim, em 1945? Visto que seu ódio paranoico moldaria as políticas que culminaram no assassinato de milhões de judeus, trata-se evidentemente de uma […]

#346

4 de fevereiro de 2017

Por que e quando Hitler se tornou o antissemita obcecado e patológico, conhecido desde o texto de seu primeiro tratado político em 1919 até a redação de seu testamento no bunker de Berlim em 1945? Visto que seu ódio paranoico moldaria as políticas que culminaram no assassinato de milhões de judeus, trata-se evidentemente de uma […]

#338

15 de janeiro de 2017

O congresso do partido foi inaugurado no dia 10 de setembro em Nuremberg. O propósito do megaevento partiu da “proclamação” de Hitler, lida por Hess, que Goebbels escutou com entusiasmo: “Três inimigos do Estado, os marxistas, os clérigos e a reação. Luta implacável sem concessões. Antibolchevista e antijudaica. Minha política mil vezes justificada.” Mas no […]

#337

14 de janeiro de 2017

Em meados de agosto, ele viajou a Nuremberg para fazer junto a Hitler os últimos preparativos do congresso nacional do partido. Naquele ano, o evento seria usado sobretudo para deixar claro quais eram os principais inimigos do regime. Para tanto, o congresso de 1935 foi organizado sob o lema “anticomintern”. Com as igrejas, pelo contrário, […]

#335

8 de janeiro de 2017

— Certa vez, eu estava passeando pelo centro da cidade e encontrei de repente uma aparição de cafetã preto e tranças negras. Isso é um judeu?, foi a primeira coisa que pensei. — Pois, com certeza, eles não tinham essa aparência em Linz. Observei o homem furtiva e cautelosamente, mas, quanto mais eu olhava para […]

#315

23 de novembro de 2016

Ocasionalmente, a máscara escorregava, Albert Krebs, que foi Gauleiter de Hamburgo, relatou um cena de início de 1932 que lembrou uma comédia francesa. Do corredor elegante Hotel Atlantik, ele pôde ouvir Hitler gritando em tom lamentoso: “Minha sopa, [quero] minha sopa”. Krebs o encontrou minutos depois curvado sobre uma mesa redonda de seu quarto, bebendo […]

#312

16 de novembro de 2016

Hitler disse a Hans Frank que Landsberg fora sua “universidade paga pelo Estado”. Segundo seu relato, ele leu tudo o que pôde: Nietzsche, Houston Stewart Chamberlain, Ranke, Treitschke, Marx, Gedanken und Erinnerungen (Pensamentos e memórias) de Bismarck e as memórias da guerra e generais e estadistas alemães e aliados. Além de receber visitantes e responder […]

#277

27 de agosto de 2016

“Está prevista uma colaboração entre nossos países. Eu aceitei esse princípio.” Com estas palavras, o marechal Philippe Pétain, 84 anos, herói da batalha de Verdun, saiu de seu encontro com Hitler em Montoire em outubro de 1940 e anunciou a disposição de seu governo de trabalhar com Berlim. Alguns franceses ficaram consternados. “O único direito […]

#234

18 de maio de 2016

August Kubizek — “Gustl” — era cerca de nove meses mais velho que Adolf. Conheceram-se por acaso no outono de 1905 (não de 1904, como afirmou Kubizek) no teatro lírico de Linz. Havia alguns anos que Adolf era admirador fanático de Wagner, e seu amor pela ópera, em especial pelas obras do “mestre de Bayreuth”, […]

#195

14 de fevereiro de 2016

O Führer descartou categoricamente, como sempre fizera, qualquer possibilidade de capitulação. Declarou que um colapso do Reich alemão estava fora de questão. Mas as observações que fez depois traíam o fato de que estava contemplando precisamente essa ideia. Tal colapso representaria “o fim de sua vida”, declarou. Estava claro que, nessa eventualidade, o bode expiatório […]

#194

13 de fevereiro de 2016

Junto com a sede por vingança brutal, o atentado fracassado do Exército (Operação Valquíria) deu mais um poderoso alento ao seu sentimento de caminhar com o destino. Com a “Providência” ao seu lado, como ele imaginava, sua sobrevivência era para ele a garantia de que cumpriria sua missão histórica. O atentado intensificou a queda no […]

#184

20 de janeiro de 2016

Indivíduos muito mais bem-dotados do que Hitler teriam se sentido sobrecarregados e incapazes de dar conta da escala e da natureza dos problemas administrativos envolvidos na condução de uma guerra mundial. Os triunfos de Hitler na política externa, nos anos 1930, depois como líder da guerra, até 1941, não se deviam ao seu “gênio artístico” […]

#165

6 de dezembro de 2015

Sem a mudança das condições — uma guerra perdida e suas consequências, uma revolução e um sentimento difuso de humilhação nacional —, Hitler teria permanecido um ninguém. Sua principal habilidade até então, como ele veio a perceber no decorrer de 1919, era ser capaz de inspirar, nas circunstâncias propícias, uma plateia que compartilhasse seus sentimentos […]

#160

25 de novembro de 2015

A Primeira Guerra Mundial tornou Hitler possível. Sem a experiência da guerra, a humilhação da derrota, a instabilidade resultante da revolução de 1918-19, o artista fracassado e marginal social não teria descoberto o que fazer da vida, não teria entrado para o Exército, para a política e encontrado seu oficio de propagandista e demagogo de […]