#767

15 de abril de 2019

Evidentemente, Luís XIV tinha aprendido pouco com os desastrosos e empobrecedores anos de guerra que ele próprio tinha provocado. A França não tinha ganhado quase nada “com todo esse desperdício de riqueza e perda de vidas”. Mas Luís agora tinha 75 anos de idade. O mundo deveria ser poupado de outras devastações inspiradas por sua […]

#766

14 de abril de 2019

A França foi salva da derrota na Guerra da Sucessão Espanhola. Mas não tanto pelo talento de seus generais, pela força de suas defesas ou pela determinação de seu povo, e sim pela morte inesperada, em 1711, do imperador José, que tinha sucedido a seu pai no trono do Sacro Império Romano em 1705. José, […]

#757

3 de abril de 2019

Pedro da Rússia, Carlos XII da Suécia, Frederico IV da Dinamarca, Augusto II da Polônia, Luís XIV da França, Guilherme III da Inglaterra, Leopoldo da Áustria e maioria dos outros reis e príncipes daquela época, em algum momento deixaram suas diferenças serem resolvidas pela guerra. Ela era o árbitro final entre as nações dos séculos […]

#721

22 de fevereiro de 2019

“O que o resto da Europa dirá se aceitarmos este generosíssimo legado de sua majestade católica?”, ponderou Luís XIV. Se ele aceitasse o testamento, o trono espanhol passaria ao segundo filho do delfim, o duque de Anjou, com 17 anos, cujo irmão mais velho, o duque de Borgonha, era obrigado a permanecer na França como […]

#720

21 de fevereiro de 2019

No outono de 1697, com a assinatura de uma série de tratados na cidade holandesa de Rijswijk, a guerra do Rei Sol contra a Grande Aliança — nada menos que metade da Europa — tinha finalmente chegado ao fim. Após nove anos de lutas, ninguém tinha ganhado muito. Territórios conquistados com muita dificuldade foram devolvidos; […]

#661

9 de dezembro de 2018

Ben Jonson disse que durante anos Elizabeth não tinha visto o próprio reflexo, que as mulheres de sua câmara tinham despedaçado os espelhos para impedir que a rainha tivesse um relance de suas feições, pintadas com ocre vermelho. Mas ela pediu um espelho e olhou para o rosto “então magro e cheio de rugas, … […]

#660

8 de dezembro de 2018

A rebelião de Essex, em 1601, tem sido considerada o ponto de apostasia no governo de Elizabeth, o momento em que a tão longa e cuidadosamente cultivada imagem da rainha começou a decair. O brilho espalhafatoso começava a parecer de mau gosto. Por trás do cintilante edifício que era a pessoa da monarca, já se […]

#659

6 de dezembro de 2018

Em 1685, Carlos II morreu sem deixar herdeiro legítimo e o trono passou para seu irmão mais novo, o melhor almirante inglês, Jaime, duque de York. Essa troca de monarcas alterou fortemente a posição inglesa. Jaime era sincero, direto, orgulhoso, objetivo e desprovido de sutilezas. Nascido protestante, converteu-se ao catolicismo aos 35 anos, demonstrando dali […]

#658

4 de dezembro de 2018

Os holandeses e os ingleses seguiram os passos dos portugueses, com a vantagem de que podiam aprender com os erros dos pioneiros. Ambas as nações começaram a construir galeões elegantes que eram mais manobráveis e tinham um poder de fogo maior do que os pesados navios portugueses; além disso, reuniram marinheiros e soldados em uma […]

#649

18 de novembro de 2018

Muitos imperialistas europeus acreditavam sinceramente que ao submeter outros povos a seu jugo eles os estavam libertando — de outros opressores ou de sua própria ignorância e atraso. O pirata Drake, inalcançável por qualquer lei enquanto navegava em volta ao mundo, autônomo e incontrolável em seu pequeno barco do qual era senhor absoluto, é uma […]

#648

17 de novembro de 2018

Na lenda que envolveu as aventuras de Drake, que não demorou a surgir, o Golden Hind aparece comoventemente pequenino, vulnerável e isolado, sozinho e sem qualquer apoio no avesso do mundo; mas para aqueles que defendiam os pequenos portos nos quais entrava, ele era temível. Diferente dos navios espanhóis que por ali navegavam, desprovidos de […]

#645

11 de novembro de 2018

A celebridade de Drake foi imediata e enorme. “Os membros da Câmara dos Comuns… reagiram com aplausos, elogios e manifestações de admiração”, escreveu Camden. Ele foi comparado a Jasão, a Hércules, ao próprio sol. “Seu nome e sua fama tornaram-se admirados por toda parte”, escreveu John Stow, “com as pessoas acorrendo diariamente em bandos pelas […]

#642

6 de novembro de 2018

A Paz de Vestfália, de 1648, que, por convenção, marca surgimento do sistema estatal moderno, envolveu vários tratados que deram fim às guerras prolongadas entre os novos Estados poderosos que competiam pela cisão entre o catolicismo e o protestantismo, como a Guerra dos Oitenta Anos entre Espanha e os Países Baixos (uma das que proibiram […]

#641

4 de novembro de 2018

Em sua arrasadora maioria, segundo Samuel Pepys, a corte inglesa “ansiava por uma guerra com a Holanda”. Todavia, o único indivíduo cuja vontade realmente pesava não estava convencido. O segundo Carlos Stuart a ocupar o trono inglês era um homem de interesses diversificados. Tinha obsessão por relógios, aprazia-se em redesenhar os jardins reais e passava […]

#640

3 de novembro de 2018

Os homens de Drake, ao navegarem pela costa do Chile, ficavam indignados, porém não surpresos, ao verem espanhóis a cavalo com índios “correndo como cães atrás deles, completamente nus e na mais abominável servidão”. Ouviam histórias de espanhóis que torturavam seus escravos índios, jogando sobre eles gordura quente e chicoteando-os para satisfazer seu próprio prazer […]

#639

1 de novembro de 2018

Em Valparaíso, uma tripulação desavisada de marinheiros espanhóis, supondo que os homens de Drake fossem seus compatriotas, deram-lhes as boas-vindas a bordo com o rufar de tambores e brindes com vinho. Os ingleses responderam com um soco na cara do piloto, que em seguida sequestraram, desembarcando o restante da tripulação e partindo com o navio […]

#638

30 de outubro de 2018

Os confrontos anglo-espanhóis no mar não tinham cessado com o Tratado de Bristol assinado em 1573. Elizabeth proibira que se atacassem naus espanholas ao sul do equador durante três anos, enquanto fazia vista grossa para as lucrativas (e, para os espanhóis, as mais sensíveis) operações de piratas ao norte. John Hawkins financiou várias expedições no […]

#637

28 de outubro de 2018

Posicionado nos escritórios diplomáticos, em Haia, Downing tinha perspectiva panorâmica da situação. Via o globo terrestre cruzado pelas rotas comerciais holandesas. Postos comerciais holandeses pontilhavam a costa da Índia e se espalhavam pelo arquipélago indonésio. A Holanda era a única nação na Terra com a qual as ilhas japonesas negociavam. Os holandeses controlavam o comércio […]

#636

27 de outubro de 2018

“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo.” O verso vem das “Devoções para situações emergentes”, do poeta e teólogo inglês John Donne. Ele escreveu essas meditações sob o fardo da fé cristã em 1623, quando esteve gravemente enfermo, numa época em que enfrentava uma das muitas “situações de emergência” da sua vida. A […]

#635

25 de outubro de 2018

O homem que, mais do que qualquer outro indivíduo, maquinaria a tomada de Manhattan encontra-se entre primeiros jovens acadêmicos da Nova Inglaterra, em 1642. Chamava-se George Downing. Era um rapaz sisudo e atlético, com 19 anos de idade, cuja ambição era tamanha que chegava a ser agressiva, e era também sobrinho do governador Winthrop. A […]

#634

23 de outubro de 2018

Cromwell havia surpreendido os líderes holandeses. Enquanto ele construía uma nova geração de grandes navios de guerra, os Estados-gerais da Holanda, depois da ameaça de conflito com o príncipe de Orange, por causa da insistência do governo central na dispensa de soldados, haviam diminuído o seu poderio militar, desde a paz de Westfália em 1648. […]

#631

18 de outubro de 2018

Seu fervor era primordial. Cromwell, planejava exportar a revolução puritana inglesa e fazer cabeças de monarcas rolarem pelos gramados europeus. Isso não ocorreu, mas transportada para a Nova Inglaterra, a ideia puritana de missão, de eleição divina, semeou a noção norte-americana do “destino manifesto”: de um povo predeterminado, primeiro, a conquistar o continente e, em […]

#629

14 de outubro de 2018

Assim como fez com Stuyvesant (o último Diretor-geral da Nova Holanda), a história encobriu o rosto de Cromwell com uma máscara de papelão. É certo que ambos eram sombrios e obsessivos. Por outro lado, Cromwell não foi apenas o criador do império britânico: foi também responsável pela configuração da América do Norte em seus primórdios. […]

#628

13 de outubro de 2018

Carlos I Inglaterra, dedicava aos cavalos e aos holandeses sentimentos exatamente opostos. conforme demonstram o célebre retrato equestre de Carlos, pintado por Antony Van Dyck, e sua estátua equestre localizada na Trafalgar Square, na cidade de Londres, em sua sela o monarca sentia-se melhor do que nunca. Era tamanha a sua devoção às corridas, que […]

#619

27 de setembro de 2018

“Drake é um homem de estatura mediana, louro, mais para gordo do que para esbelto, alegre, cuidadoso… Ele pune de maneira resoluta. Sagaz, inquieto, eloqüente, inclinado à liberdade e à ambição, fanfarrão, gabolas, não muito cruel”. Assim foi ele descrito por um alto funcionário espanhol em Santo Domingo que teve bastante oportunidade de observá-lo no […]

#618

25 de setembro de 2018

Em setembro de 1580, um barco de pesca em alto-mar à altura de Plymouth foi saudado com a seguinte pergunta por uma nau que retornava: “Como está a rainha?” O navio era o Golden Hind e a razão da pergunta de Drake era mais aflitiva do que uma preocupação sentimental pela saúde de Elizabeth. Já […]

#615

20 de setembro de 2018

Um mês após a segunda audiência do embaixador holandês com o rei da Inglaterra, a resposta oficial de Carlos chegou a Haia. O rei declarava não ter qualquer intenção de suprimir os livros virulentos publicados na Inglaterra que abordassem o massacre de Amboina (eis a resposta do monarca à indignação holandesa: “nada, senão o bálsamo […]

#614

18 de setembro de 2018

Os ingleses tinham um motivo especial para, naquele momento, cobiçar as terras holandesas na América do Norte. O torvelinho de ações geopolíticas que envolvia as duas potências emergentes havia se cristalizado em um evento, um daqueles incidentes aparentemente menores, distantes, cujos ecos históricos alcançariam proporções incompatíveis com a dimensão do ocorrido. Em 1623, numa das […]

#609

9 de setembro de 2018

A obra de Joris Hoefnagel era vista pelos milhares de visitantes que, de passagem pela corte de Elizabeth, afluíam a Whitehall. Eles estavam ali para admirar, solicitar, pedir, enredar. Alguns, assim se dizia, tinham ido por amor; outros, assim também se dizia, para assassinar. Todos estavam conscientes da marcante presença da misteriosa e magnífica governante […]

#595

16 de agosto de 2018

A França não era a única potência europeia a se voltar para Istambul. Em 1578, um empresário inglês chamado William Harborne chegou à Sublime Porta e prestou homenagens ao sultão Murad III. No ano seguinte, Murad manteve uma longa correspondência com a rainha Elizabeth. A rainha respondeu enviando ao sultão um elegante relógio de transporte […]

#594

14 de agosto de 2018

A combinação de eventos como a captura do Madre de Deus pelos ingleses e a espionagem holandesa realizada por Jan Huygen van Linschoten tornaram os segredos que Portugal tinha ferozmente protegido por um século abertos para o mundo. Uma nova estirpe estava prestes a quebrar o monopólio de um século de Portugal no comércio oriental, […]

#587

2 de agosto de 2018

“Essa questão de recorrer aos piratas, ou, se assim quiser chamá-los, aos nossos aventureiros, que roubam diariamente os espanhóis e os flamengos, é matéria de grande e longa consequência. Pelo amor de Deus, eu lhe solicito tomar alguma medida quanto a isso, para que alguns possam ser capturados e executados”, escreveu Cecil, ansioso por preservar […]

#586

31 de julho de 2018

Ao rejeitar tão decididamente a autoridade papal, Elizabeth e seus ministros, implicitamente, desafiavam a Espanha. O conflito que iria dominar tantos aspectos de seu reinado e que resultaria, em seu episódio mais famoso (se não o mais conclusivo), na vitória sobre a Invencível Armada, tinha raízes na aliança firmada desde 1493 entre a coroa espanhola […]

#579

19 de julho de 2018

De início, a estratégia de Elizabeth em relação a Espanha e aos holandeses após o tratado assinado em Bristol, de 1574, parece contraditória, quando não contra-producente. Gostasse dos holandeses ou não (em geral não gostava), Elizabeth não podia permitir que a Espanha os suprimisse por completo, embora isso tivesse de ser feito, ao mesmo tempo […]

#578

17 de julho de 2018

A resposta inglesa à matança tem sua epítome na reação de Edmund Grindal, futuro bispo de Londres, em geral moderado, que pediu que todos os católicos ingleses fossem presos e que a cabeça de Maria Stuart fosse cortada imediatamente. À medida que a descrição dos horrores perpetrados contra os huguenotes franceses continuava a chegar a […]

#575

12 de julho de 2018

Francis Walsingham, William Cecil e Nicholas Bacon, ministros de Elizabeth leram Maquiavel; sir Christopher Hatton tinha um exemplar do livro, e, em 1560, foi escrita uma dedicatória a Elizabeth na tradução de A arte da Guerra, de Maquiavel, que foi repetidas vezes incluída em edições posteriores. “Dada a educação amplamente humanista [de Elizabeth], sua fluência […]

#574

10 de julho de 2018

Por várias razões, Elizabeth foi muito menos uma figura do Renascimento que seu pai. Embora tenha sido comparada, de forma bajuladora e inexata, a Lorenzo de Médici, o Magnífico — o arquetípico governante da Renascença cuja morte precipitou o colapso da República florentina que Maquiavel buscava restaurar —, ao contrário de Henrique VIII, ela não […]

#565

24 de junho de 2018

A Europa estava mudando. A superestrutura da Igreja, que impusera sua hierarquia aos remanescentes do governo feudal, tivera sua autoridade diminuída: na Inglaterra, essa autoridade fora destituída. O Estado principesco emergia como fundamento de uma ordem política muito diversa, que impunha um diferente conjunto de imperativos para o governo, o qual parecia hostil ao antigo […]

#564

23 de junho de 2018

A ideia de que a Inglaterra elisabetana viveu “Idade de Ouro” era tão mítica na época em que Shakespeare escrevia quanto hoje, e, no entanto, por mais que seu reinado tenha sido desmontado e criticado, o mito perdurou. A peça Henrique VIII, que reflete o legado de Elizabeth, é um meio útil de contextualizar as […]

#378

19 de abril de 2017

Os monopólios provocaram muita hostilidade durante o período que precedeu a guerra civil inglesa. Muitas vezes, as razões para a proteção a novas indústrias eram justificadas, dando-lhes um mercado garantido por alguns anos. A Company of Mines Royal contribuiu para que o país não mais dependesse de cobre do exterior para a fabricação de canhões; […]

#375

12 de abril de 2017

A fragilidade dos governo da dinastia Stuart, que culminou na execução do rei Carlos I, repousava no fato de que diferente da monarquia francesa, a eles faltava uma burocracia sensata: as regulamentações do governo tinham de ser colocadas em prática por “informantes profissionais”, uma classe antipática e subornável, bem como por juízes de paz que não […]

#130

23 de setembro de 2015

Como nenhuma instituição antes dela, em 1660 a Royal Society nasceu dedicada ao fluxo de informações. Ela exaltava a comunicação e condenava o segredo. “Tão longe estão as estreitas concepções de uns poucos escritores particulares, em uma era obscura de se igualarem a um desígnio tão vasto”, declararam seus fundadores. A ciência existia — não […]

#129

20 de setembro de 2015

A “Troca Colombiana” de produtos entre o Velho e o Novo Mundo, na qual trigo, açúcar, arroz e bananas deslocaram-se para oeste e milho, batatas, tomates e chocolate deslocaram-se para leste (mencionado apenas alguns exemplos), representa uma grande parte da história, mas não toda ela. Os europeus também deslocaram produtos agrícolas de um lado para […]

#128

19 de setembro de 2015

O retrato do rei Carlos II da Inglaterra pintado por volta de 1675 não é simples como parece. O rei é mostrado usando um paletó até a altura dos joelhos e calções, de pé nos primorosos jardins de uma grande casa. Dois cães spaniels o acompanham, e perto dele ajoelha-se John Rose, o jardineiro real, […]